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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

MEUS LOGOS

Roger Chartier

Roger Chartier Quando viveu Nascido em 1945Onde nasceu Lyon, França O que pensou Para o campo do ensino da leitura e da escrita, a obra do pesquisador traz grandes contribuições, na medida em que ilumina os diferentes interesses e usos que aproximam leitores, autores, missivistas, escribas etc. de gêneros e formatos de textos também variados. Frase “(...) é necessário recordar vigorosamente que não existe nenhum texto fora do suporte que o dá a ler, que não há compreensão de um escrito, qualquer que ele seja, que não dependa das formas através das quais ele chega ao seu leitor”. O que ler Formas e Sentido – Cultura Escrita: Entre Distinção e Apropriação, Roger Chartier, 168 págs., Ed. Mercado de Letras; Inscrever & Apagar, Roger Chartier, 336 págs., Ed. Unesp. Antes de ler Roger Chartier leia: Foucault e Bourdieu

Michel de Montaigne

Michel de Montaigne Quando viveu De 1533 a † 1592Onde nasceu perto de Bordeaux, França O que pensou Montaigne criticou a educação livresca e mnemônica, propondo um ensino voltado para a experiência e para a ação. Acreditava que a educação livresca exigiria muito tempo e esforço, o que afastaria os jovens dos assuntos mais urgentes da vida. Para ele, a educação deveria formar indivíduos aptos ao julgamento, ao discernimento moral e à vida prática. Frase “Entre os estudos, comecemos por aqueles que nos façam livres”; “Uma cabeça bem-feita vale mais do que uma cabeça cheia” O que ler A Educação das Crianças, Michel de Montaigne, 144 págs., Ed. Martins Fontes; Ensaios, Michel de Montaigne, vols. 1 e 2, coleção Os Pensadores, 512 págs. e 400 págs., Ed. Nova Cultural Antes de ler Michel de Montaigne leia: Aristóteles, Socrátes e Platão

Florestan Fernandes

Florestan Fernandes Quando viveu De 1920 a † 1995Onde nasceu São Paulo, Brasil O que pensou Florestan Fernandes considerava a escola pública, laica, gratuita, universal e de boa qualidade como meio para reduzir as desigualdades sociais. Para ele, as ciências sociais deveriam contribuir para desvendar os mecanismos pelos quais nas sociedades capitalistas essas desigualdades se produzem e reproduzem. Frase “Na sala de aula, o professor precisa ser um cidadão e um ser humano rebelde” “Hoje se trata mais concretamente de colocar o cidadão no eixo da reflexão pedagógica transformadora”. O que ler Educação e Sociedade no Brasil, Florestan Fernandes, 614 págs., Ed. Dominus/Edusp; (1966) O Desafio Educacional, Florestan Fernandes, 264 págs., Ed. Cortez Antes de ler Florestan Fernandes leia: Karl Marx

domingo, 25 de janeiro de 2015

Condorcet

Condorcet Quando viveu De 1743 a † 1794Onde nasceu Ribemont, França O que pensou Um dos líderes ideológicos da Revolução Francesa,foi o elaborador de um projeto de organização geral da instrução pública entregue à Assembléia Nacional. Defendia que a educação era um dever do Estado, que deveria ser laica e contribuir para a liberdade do pensamento. Frase “Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo.”; “Conservemos por sabedoria o que adquirimos pelo entusiasmo.” O que ler A Escola do Homem Novo, Carlota Boto, 207 págs., Ed. UNESP; Cinco Memórias sobre a Instrução Pública, Condorcet, 264 págs., Ed. Unesp. (1791). Antes de ler Condorcet leia: Francis Bacon e Rousseau Depois de ler Condorcet leia: Hannah Arendt

Emília Ferreiro

Emília Ferreiro Quando viveu Nascida em 1937Onde nasceu Argentina O que pensou Dedicou-se ao estudo da alfabetização, deslocando o foco educativo dos processos de ensino para os de aprendizagem, dos métodos preconcebidos para a construção do saber na prática pedagógica. Discípula de Piaget na investigação dos processos de aquisição e elaboração de conhecimento pela criança, seu nome está ligado ao construtivismo. Frase “Quem tem muito pouco, ou quase nada, merece que a escola lhe abra horizontes”; “É preciso sermos enfáticos: a escrita é importante na escola pelo fato de que é importante fora da escola, não o contrário”; O que ler Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed; (1999) Psicogênese da língua escrita, E. Ferreiro. (Título original: Los sistemas de escritura em el desarrollo del niño, 1979) Antes de ler Emília Ferreiro leia: Jean Piaget e Vygotsky

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lawrence Stenhouse

Lawrence Stenhouse Quando viveu De 1926 a † 1982Onde nasceu Manchester, Inglaterra O que pensou Stenhouse dedicou-se ao estudo do currículo escolar. Para ele, um currículo de boa qualidade dependeria da capacidade de os professores assumirem uma postura investigativa, examinando suas próprias práticas educativas de forma crítica. A sala de aula se tornaria, assim, o laboratório no qual a comunidade científica seria composta por professores. Frase “O pesquisador da educação e o docente devem compartilhar a mesma linguagem”; “Os professores que se destacam transformam o ensino na aventura da educação. Outros podem adestrar-nos”. O que ler O Professor e a Pesquisa, Menga Lüdke, 112 págs., Ed. Papirus; Pedagogias do Século XX, vários autores, 160 págs., Ed. Artmed An Introduction to Curriculum Research and Development (1975) Authority, Education and Emancipation (1983) Research as a Basis for Teaching: Readings from the Work of Lawrence Stenhouse (1985) Antes de ler Lawrence Stenhouse leia: Franklin Bobbitt

Jean Piaget

Jean Piaget Quando viveu De 1896 a † 1980Onde nasceu Neuchâtel, Suíça O que pensou Desenvolveu a epistemologia genética – uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida. Frase “Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo”. “O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados, mas é antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola”. O que ler Linguagem e pensamento na criança, J. Piaget (1923) Formação do símbolo na criança, J. Piaget (1946) Antes de ler Jean Piaget leia: Alfred Binet

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Erasmo de Roterdã

Erasmo de Roterdã Quando viveu De 1469 a † 1536Onde nasceu Roterdã, Holanda O que pensou Erasmo, escritor humanista, criticou a educação do seu tempo, que considerava excessivamente severa. Escreveu tratados de civilidade, defendendo uma educação da criança voltada para a disciplina do corpo, dos comportamentos, e valorizando o jogo e a brincadeira no decorrer do processo de aprendizagem. Frase “Ninguém pode escolher os próprios pais ou a pátria, mas cada um pode moldar sua personalidade pela educação”; “Toda educação saudável é uma educação sem controle religioso” O que ler O Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam, 223 págs., Ed. Martins Fontes; (1509) A Civilidade Pueril, Erasmo de Roterdã. (1530) Erasmo da Cristandade, Roland H. Bainton, 385 págs., Ed. Calouste Gulbenkian Antes de ler Erasmo de Roterdã leia: Tomás de Aquino e Agostinho

Comênio

Comênio Quando viveu De 1592 a † 1670Onde nasceu Nivnice, Moravia (Atualmente República Tcheca) O que pensou Acreditava que pela educação o homem se prepararia para a vida eterna. Afirmava que pela imitação da natureza seria possível criar um método eficiente para ensinar “tudo a todos”. Foi um dos precursores do método simultâneo (um professor para vários alunos), do calendário escolar e do livro didático. Frase “Deve-se começar a formação muito cedo, pois não se deve passar a vida a aprender, mas a fazer”; “Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja” O que ler Comênio: A Emergência da Modernidade na Educação, João Luiz Gasparin, 147 págs., Ed. Vozes; Comenius: a Persistência da Utopia em Educação, Wojciech A. Kulesza, 214 págs., Ed. Unicamp Didática Magna, Comênio. (1627) Antes de ler Comênio leia: Lutero e Francis Bacon

Martinho Lutero

Martinho Lutero Quando viveu De 1483 a † 1546Onde nasceu Eisleben, Alemanha O que pensou Rompendo com o tradicional monopólio da Igreja Católica sobre a educação escolar, Lutero defendeu a institucionalização do Estado como o responsável pelo ensino. Para ele, as escolas deveriam ser cristãs e de frequência obrigatória. A educação seria para todos, independentemente do gênero e classe social, embora tivesse objetivos diferentes para os distintos grupos sociais. Frase “Quando a escola progride tudo progride” O que ler História da Educação, Mario Alighiero Manacorda, 382 págs., Ed. Cortez; Lutero e Libertação, Walter Altmann, 352 págs., Ed. Sinodal LUTERO, Martinho. Obras selecionadas. São Leopoldo: Comissão Interluterana de Literatura, 1989. Antes de ler Martinho Lutero leia: Santo Agostinho

Johann Heinrich Pestalozzi

Johann Heinrich Pestalozzi Quando viveu De 1746 a † 1827Onde nasceu Zurique, Suíça O que pensou Considerado o pai da pedagogia moderna, Pestalozzi inspirou Froebel e Herbart, e seu nome vincula-se a todos os movimentos de reforma da educação no século XIX. Precursor do método intuitivo de ensino, que assume uma perspectiva indutiva, partindo do particular para o geral, do concreto para o abstrato. Frase “As faculdades do homem têm de ser desenvolvidas de tal forma que nenhuma delas predomine sobre as outras”; “A natureza melhor da criança deve ser encorajada o mais cedo possível a combater a força prepotente do instinto animal” O que ler A Pedagogia na Era das Revoluções, Alessandra Arce, Ed. Autores Associados, 238 págs; Como Gertrudes ensina seus filhos, Pestalozzi. (1801) Antes de ler Johann Heinrich Pestalozzi leia: Rousseau

Howard Gardner

Howard Gardner Quando viveu Nascido em 1943Onde nasceu Scranton, Pensilvânia, EUA O que pensou Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norte-americano Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas. Segundo Gardner, as inteligências são potenciais para processar informação que poderão ou não ser ativados, dependendo dos valores de uma cultura, das oportunidades de aprendizagens e das experiências. Frase “A educação precisa justificar-se realçando o entendimento humano”; “Todos os indivíduos têm potencial para ser criativos, mas só serão se quiserem” O que ler Inteligência – Um Conceito Reformulado, Howard Gardner, 348 págs., Ed. Objetiva; (1999) O Verdadeiro, o Belo e o Bom, Howard Gardner, 364 págs., Ed. Objetiva Antes de ler Howard Gardner leia: Jean Piaget

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Karl Marx

Karl Marx Quando viveu De 1818 a † 1883Onde nasceu Trier, Alemanha O que pensou Marx criticou a escola de seu tempo, apontando-a como instrumento de dominação ideológica da burguesia. Para ele, uma educação integral deveria ser destinada a todas as crianças e jovens sem distinção de classe social, possibilitando-lhes conhecer tanto as ciências quanto as atividades produtivas. Frase “A união entre trabalho, instrução intelectual, exercício físico e treino politécnico elevará a classe operária” O que ler Marx e a Pedagogia Moderna, Mario Alighiero Manacorda, 200 págs., Ed. Cortez; A Ideologia Alemã, Karl Marx e Friedrich Engels, 168 págs., Ed. Martins Fontes (Título original: Die deutsche Ideologie. 1845-1846) Antes de ler Karl Marx leia: Hegel

Herbert Spencer

Herbert Spencer Quando viveu De 1820 a † 1903Onde nasceu Derby, Inglaterra O que pensou Para Spencer, havia uma correspondência entre o desenvolvimento biológico e o progresso social. Compreendia a ciência como o conhecimento mais relevante, mais útil, com aplicação no trabalho, na arte e na vida cotidiana. Defendia uma educação que abarcasse corpo e espírito, em conformidade com as leis da natureza e a ciência, que possibilitaria o desenvolvimento físico, intelectual e moral. Frase “A educação deve formar seres aptos para governar a si mesmos e não para ser governados pelos outros” O que ler Educação intelectual, moral e física, H. Spencer. (1861) A História da Filosofia, Will Durant, 482 págs., Ed. Nova Cultural; 50 Grandes Educadores, Joy A. Palmer, 310 págs., Ed. Contexto Antes de ler Herbert Spencer leia: John Locke, Charles Darwin e Comte

Friedrich Nietzsche

Friedrich Nietzsche Quando viveu De 1844 a † 1900Onde nasceu Röcken, Alemanha O que pensou Criticava o sistema escolar por ser um reforço da moral de rebanho: uniformizando o conhecimento e os próprios alunos, a instituição se curva às exigências externas do mercado e do Estado. Em lugar da massificação e do utilitarismo, propunha o aprimoramento individual e uma "Educação para a cultura". Frase "Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos"; “No caso do indivíduo, a tarefa da educação é a seguinte: torná-lo tão firme e seguro que, como um todo, ele já não possa ser desviado de sua rota” O que ler Escritos sobre Educação, Friedrich Nietzsche, 232 págs., Ed. Loyola/PUC-Rio; Nietzsche e a Educação, Jorge Larrosa, 136 págs., Ed. Autêntica Antes de ler Friedrich Nietzsche leia: Schopenhauer, Spinoza

Édouard Claparède

Édouard Claparède Quando viveu De 1873 a † 1940Onde nasceu Genebra, Suíça O que pensou Segundo Claparède, toda necessidade e interesse tende a provocar reações que visam satisfazê-los. Cabe ao professor atrair o interesse do aluno para as temáticas abordadas, realizando no ambiente escolar atividades motivadoras que possibilitem adquirir o conhecimento. Frase “Uma criança não é uma criança para ser pequena, mas para tornar-se adulta”; “Toda conduta é ditada por um interesse; toda ação consiste em atingir o objetivo que é mais urgente naquele momento determinado” O que ler Educação Funcional, Édouard Claparède, 322 págs., Cia. Ed. Nacional; (1931) Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental, Édouard Claparède, 539 págs., Ed. do Brasil. (1905) Antes de ler Édouard Claparède leia: John Locke, Rousseau, Spencer, Freud Depois de ler Édouard Claparède leia: Jean Piaget

Henri Wallon

Henri Wallon Quando viveu De 1879 a † 1962Onde nasceu Paris, França O que pensou A escola, meio fundamental para o desenvolvimento pessoal, deve proporcionar uma formação integral (cognitiva, afetiva e social). Fundamentou suas idéias em elementos básicos que se comunicariam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação pessoal. Frase “A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas”; “O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna” O que ler As Origens do Pensamento na Criança, Henri Wallon, 540 págs., Ed. Manole; Piaget, Vygotsky e Wallon: (1945) Teorias Psicogenéticas em Discussão, Yves de la Taille, Marta Kohl de Oliveira e Heloysa Dantas, 120 págs., Summus Editorial Antes de ler Henri Wallon leia: Piaget Depois de ler Henri Wallon leia: Lev Vygotsky

Edgar Morin

Edgar Morin Quando viveu Nascido em 1921Onde nasceu Paris, França O que pensou Morin propõe o conceito de pensamento complexo em lugar da simplificação e da fragmentação do conhecimento. Para ele, os saberes foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. A sala de aula seria o lugar ideal para começar essa reforma. Frase “A escola, em sua singularidade, contém em si a presença da sociedade como um todo”; “A ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar” O que ler A Cabeça Bem-Feita, Edgar Morin, 128 págs., Bertrand Brasil; (La tête bien faite, 1999) A Religação dos Saberes, Edgar Morin, 588 págs., Ed. Bertrand Brasil (Relier les connaissances, 2000) Antes de ler Edgar Morin leia: Karl Marx e Thomas Kuhn

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Auguste Comte

Auguste Comte Quando viveu De 1798 a † 1857Onde nasceu Montpellier, França O que pensou Pai do positivismo, que, em linhas gerais, sistematizou as ciências humanas. Comte tinha como valor supremo a ordem. Para ele, era fundamental que os membros de uma sociedade aprendessem desde cedo a importância da disciplina, da obediência e da hierarquia, função primordial da escola. Frase “Toda Educação humana deve preparar cada um a viver para os outros” O que ler Augusto Comte e o Positivismo, João Ribeiro Jr. (2003), 330 págs., Ed. Edicamp; Discurso sobre o Espírito Positivo, Auguste Comte (1848), 132 págs., Ed. Martins Fontes.

B. F. Skinner

B. F. Skinner Quando viveu De 1904 a † 1990Onde nasceu Susquehanna, Pensilvânia, EUA O que pensou A educação deve ser um processo planejado, pois é um dos meios de controle do comportamento humano, destinado a estabelecer comportamentos úteis e desejáveis aos indivíduos e a seu grupo. Frase “A educação é o estabelecimento de comportamentos que serão vantajosos para o indivíduo e para outros em algum tempo futuro”; “Quando houver domínio sobre a ciência do comportamento, ela será a única alternativa para a sociedade planejada” O que ler Pavlov\Skinner. Contingências de reforço – uma análise teórica (Coleção - Os Pensadores). São Paulo: Abril cultural. (1969). SKINNER, B.F. Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes, 1998. (1953)

Carl Rogers

Carl Rogers Quando viveu De 1902 a † 1987Onde nasceu Oak Park, EUA O que pensou Considerado uma das figuras mais influentes da psicologia norte-americana, Carl Rogers também se dedicou ao campo da educação, propondo uma pedagogia experimental, centrada no aluno. Para ele, os estudantes são mais criativos, aprendem melhor e se tornam mais capazes de solucionar problemas quando os professores atuam como facilitadores do aprendizado. Frase “Toda a nossa cultura procura insistentemente manter os jovens afastados do contato com os problemas reais. Será possível inverter essa tendência?”; “A única coisa que se aprende e realmente faz diferença no comportamento da pessoa que aprende é a descoberta de si mesma”. O que ler Liberdade para Aprender, Carl R. Rogers, 330 págs., Ed. Interlivros (1969); Tornar-se Pessoa, Carl R. Rogers, 514 págs., Ed. Martins Fontes (1961)

Célestin Freinet

Célestin Freinet Quando viveu De 1896 a † 1966Onde nasceu Gars, França O que pensou Freinet foi adepto das pedagogias ativas e colocava o trabalho como elemento central na organização das aprendizagens escolares. Sua pedagogia baseava-se na cooperação entre os alunos e os educadores, e os tempos e espaços escolares deveriam ser estabelecidos em função do interesse dos alunos. Frase “A democracia de amanhã se prepara na democracia da escola”; “Se não encontrarmos respostas adequadas a todas as questões sobre educação, continuaremos a forjar almas de escravos em nossos filhos” O que ler Para uma Escola do Povo, Célestin Freinet, 144 págs., Ed. Martins Fontes (1969); Pedagogia do Bom Senso, Célestin Freinet, 164 págs., Ed. Martins Fontes – (Les dits de Mathieu - l949),

Antonio Gramsci

Antonio Gramsci Quando viveu De 1892 a † 1937Onde nasceu Ales, Sardenha, Itália O que pensou Gramsci criticou a escola dita tradicional que separava o ensino para formar especialistas e dirigentes do que seria destinado à formação de operários (ensino profissional). Defende uma escola única, crítica e criativa, que desenvolvesse tanto competências predominantemente intelectuais quanto manuais (técnicas), possibilitando a autonomia dos sujeitos. Frase “A tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante” “Todos os homens são intelectuais, mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais” O que ler Os Intelectuais e a organização da cultura (1949) Cadernos do cárcere (escritos entre 1929 a 1935)

Donald Winnicott

Donald Winnicott Quando viveu De 1896 a † 1971Onde nasceu Plymouth, Inglaterra O que pensou Destacou a importância do ambiente no processo de construção da identidade humana. Para Winnicott, o ambiente deveria ser um facilitador do desenvolvimento infantil, oferecendo à criança condições para seu crescimento. Por isso, o contexto escolar teria papel importante no desenvolvimento emocional de criança e a escola assumiria funções diferentes de acordo com o amadurecimento do aluno. Frase "O precursor do espelho é o rosto da mãe"; "O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir." O que ler A Criança e Seu Mundo, Donald W. Winnicott, 270 págs., Ed. LTC (1964); As Idéias de Winnicott, Alexander Newman, 464 págs., Ed. Imago

Alexander S. Neill

Alexander S. Neill Quando viveu De 1883 a † 1973Onde nasceu Forfar, Escócia O que pensou Para Neill, a liberdade de escolha constituía a base para o aprendizado infantil. Por isso, a criança nunca deveria ser forçada a aprender. Tais princípios levaram-no à criação de Summerhill, instituição escolar em que a frequência era voluntária e na qual a criança escolheria o que aprender e, assim, se desenvolveria no próprio ritmo. Frase “Gostaria antes de ver a escola produzir um varredor de ruas feliz do que um erudito neurótico”; “Criadores aprendem o que desejam aprender. Não sabemos quanta liberdade de criação é morta nas salas de aula” O que ler Liberdade sem medo, A.S. Neill, 375 págs., Ed. Ibrasa, 1967; Liberdade sem Excesso, A.S. Neill, 168 págs., Ed. Ibrasa;. O mestre contra o mundo, São Paulo: Ibrasa, 1978. Um mestre na encruzilhada, São Paulo: Ibrasa, 1978. Liberdade sem medo, São Paulo: Ibrasa, 1980. Liberdade sem excesso, São Paulo: Ibrasa, 1987.

Anton Makarenko

Anton Makarenko Quando viveu De 1888 a † 1939Onde nasceu Belopole, Ucrânia O que pensou Nos trabalhos de Makarenko se destaca o compromisso com a concretização de um projeto educacional centrado na formação coletiva para a vida coletiva. A escola baseada na vida em grupo deveria ter também como princípios o autocontrole, a disciplina e o trabalho. Frase “É preciso mostrar aos alunos que o trabalho e a vida deles são parte do trabalho e da vida do país” O que ler Poema Pedagógico, 3 vols. (1932, 1933 e 1935), Anton Makarenko, Ed. Brasiliense, 1983; Conferências sobre Educação Infantil, Anton Makarenko, Ed. Moraes, 1981.

Aristóteles

Aristóteles Quando viveu De 384 a.C a † 322 a.COnde nasceu Estagira, Macedônia O que pensou Para Aristóteles, a educação visa à virtude, ou excelência moral, que corresponderia à ideia de uma razão relativa às questões da conduta. Tal disposição supõe a precedência de uma escolha dos atos a serem praticados e de um hábito construído e firmado pela repetição, daí, a importância da educação. Frase “O fim da arte e da educação é substituir a natureza e completar aquilo que ela apenas começou”; “Onde quer que se descuide da educação, o estado sofre um golpe nocivo” O que ler Aristóteles e a Educação, Antoine Hourdakis, 152 págs., Ed. Loyola; Ética a Nicômaco, Aristóteles, 320 págs., Ed. Edipro

Anísio Teixeira

Anísio Teixeira Quando viveu De 1900 a † 1971 Onde nasceu Caetité, BA, Brasil O que pensou Anísio Teixeira pensava a educação escolar como um direito que deveria ser estendido a toda a população, o que demandaria escolas gratuitas de todos os níveis de ensino. Além disso, acreditava que a educação seria o meio para acabar com as diferenças sociais existentes na sociedade brasileira. Frase “A educação e a sociedade são dois processos fundamentais da vida, que mutuamente se influenciam.” O que ler Educação Não É Privilégio, Anísio Teixeira, 253 págs., Ed. UFRJ Pequena Introdução à Filosofia da Educação, Anísio Teixeira, 176 págs., Ed. DP&A Educação Progressiva - uma introdução à filosofia da educação (1932) Em marcha para a Democracia (1934). Educação não é privilégio (1957) Pequena introdução à Filosofia da Educação (1934)

domingo, 4 de janeiro de 2015

eliziane longarai consultoria

eliziane longarai consultoria

Como ajudar seu filho a ser sociável?

A capacidade de interagir bem com os outros é necessária para a vida. Veja como estimular a sociabilidade em seu filho de maneira saudável. Impedir seu filho de conviver com crianças da mesma idade é tirar a oportunidade de desenvolver uma sociabilidade saudável. Brincar é natural e muito bom para as crianças.Você já reparou que os bebês adoram interagir com adultos e abrem um sorriso enorme às nossas tentativas de aproximação? "Somos uma espécie social por natureza", explica a professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Edna Maria Marturano. Na psicologia, a sociabilidade é a propensão de buscar semelhantes e a capacidade de interagir com eles. Uma criança sociável é capaz de fazer e de manter amizades, de expressar e compreender sentimentos e opiniões, impondo-se quando necessário, sem desrespeitar o outro. Essas habilidades são importantes não só na escola, mas durante toda a vida.Mas se todos somos sociáveis, por que algumas pessoas são mais extrovertidas e outras mais introvertidas? Será que dá para ensinar uma criança a ser sociável ou cada um já nasce mais ou menos sociável? "As pessoas têm predisposições, há crianças que são mais expansivas e outras mais retraídas, no entanto, é a interação com as pessoas que vai estimular ou não a sociabilidade", responde a professora de Psicologia Clínica e do Desenvolvimento da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) Alessandra Bolsoni. Alessandra e Edna se uniram à professora Sonia Regina Loureiro na pesquisa "Problemas de comportamento e habilidades sociais infantis: modalidades de relatos" e descobriram que crianças pouco sociáveis têm menos chances de superar dificuldades escolares e, ao longo do tempo, têm mais riscos de desenvolver problemas emocionais (ansiedade, tristeza, medo) e de comportamento (agressividade, impulsividade, rebeldia). Isso porque crianças sociáveis possuem ferramentas necessárias para se desenvolver e se adaptar melhor. A sociabilidade começa desde cedo. É por isso que pais devem saber como contribuir para o desenvolvimento de seus filhos, na medida certa. "Superproteção ou abandono podem levar a criança a um comportamento egocêntrico, que não aceita a diversidade", alerta a psicóloga infantil Marta Santos Oliveira.

Como ajudar seu filho a ser sociável?

A capacidade de interagir bem com os outros é necessária para a vida. Veja como estimular a sociabilidade em seu filho de maneira saudável. Impedir seu filho de conviver com crianças da mesma idade é tirar a oportunidade de desenvolver uma sociabilidade saudável. Brincar é natural e muito bom para as crianças. Impedir seu filho de conviver com crianças da mesma idade é tirar a oportunidade de desenvolver uma sociabilidade saudável. Brincar é natural e muito bom para as crianças. Você já reparou que os bebês adoram interagir com adultos e abrem um sorriso enorme às nossas tentativas de aproximação? "Somos uma espécie social por natureza", explica a professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Edna Maria Marturano. Na psicologia, a sociabilidade é a propensão de buscar semelhantes e a capacidade de interagir com eles. Uma criança sociável é capaz de fazer e de manter amizades, de expressar e compreender sentimentos e opiniões, impondo-se quando necessário, sem desrespeitar o outro. Essas habilidades são importantes não só na escola, mas durante toda a vida. Alessandra e Edna se uniram à professora Sonia Regina Loureiro na pesquisa "Problemas de comportamento e habilidades sociais infantis: modalidades de relatos" e descobriram que crianças pouco sociáveis têm menos chances de superar dificuldades escolares e, ao longo do tempo, têm mais riscos de desenvolver problemas emocionais (ansiedade, tristeza, medo) e de comportamento (agressividade, impulsividade, rebeldia). Isso porque crianças sociáveis possuem ferramentas necessárias para se desenvolver e se adaptar melhor. A sociabilidade começa desde cedo. É por isso que pais devem saber como contribuir para o desenvolvimento de seus filhos, na medida certa. "Superproteção ou abandono podem levar a criança a um comportamento egocêntrico, que não aceita a diversidade", alerta a psicóloga infantil Marta Santos Oliveira.

Infância e Atualidade: A Concepção de Infância na Prática Educativa

Este trabalho discute a questão da concepção da infância na atualidade, a partir da perspectiva social e educacional, de modo a focalizar qual o conceito que ambas trazem sobre a infância. A orientação teórico-metodológica foi baseada em autores que discutem a concepção de infância historicamente e na atualidade, como Áries, Andrade, Paula, e também os referenciais curriculares nacionais de educação infantil que em suas diretrizes defende uma determinada maneira de compreender a infância. O trabalho analisa através da observação a prática pedagógica realizada em uma escola municipal. Conclui que, no âmbito educacional, apesar de estudos mais recentes sobre a infância como construção social e as crianças como produtoras também de conhecimento, a criança ainda é percebida com um "vir a ser", sendo a educação um ato de formação da criança para o futuro. Palavras-chave: Infância ? Sociedade - Educação Introdução A questão problemática da pesquisa é acerca do conceito de infância na educação atual de modo, a saber, se esta tem sido influenciada pela sociedade em seu modo de "ver" a infância. O interesse pelo tema surgiu por meio de leituras de autores que tratam dessa problematização onde se discute a concepção de infância na sociedade atual, e que por sua vez, me levou a refletir sobre a questão desta concepção no âmbito educacional, ou seja, tendo em vista que a escola faz parte do contexto social e desta adquire influências como a mesma pensa a criança; como um "vir a ser", sendo seu papel formá-la para o futuro, ou pensa nestas como um ser que está sendo no presente, ou seja, como produto ou produtora de culturas? Sobre estas questões acredito que a pesquisa irá nos auxiliar a pensar sobre qual nosso modo de conceber a infância e como olhamos para a criança, pois acredito que com base nesse modo de pensar e olhar é que ensinamos. Portanto, meu intuito é levar a reflexão a partir dos aspectos teóricos e práticos apresentados. A pesquisa se direciona a relacionar minha observação prática, realizada em uma escola municipal, com a pesquisa teórica que me direcionou ao tema. Desta forma, meu trabalho está estruturado em primeiramente trazer definições do que foi e é a infância no âmbito social, histórico, e saber como a sociedade atual a concebe, e como a escola, a educação pensa a infância, e, ainda, se suas práticas favorecem o desenvolvimento da criança e valoriza a infância. Pensar em concepção de infância na atualidade nos remete a refletir sobre os diversos âmbitos que esta questão traz, mas me delimitarei a pensar nesta sobre o contexto social atual e no contexto educacional, tendo como base a concepção de infância que o Referencial Curricular Nacional para educação infantil traz em suas propostas. Observamos que segundo Neto e Silva (2007) a palavra infância vem de En-fant que significa "aquele que não fala", isso podemos ver refletido sobre o processo de construção da infância na sociedade, onde observamos figura da criança como aquele que não tem capacidade de ser, estar e atuar por ser criança, ou seja, vista apenas como um ser moldado pelo adulto ou como um indivíduo sem valor, sem um espaço na sociedade, e isso decorre desde a sociedade medieval até tempos atrás, onde começa a mudar tais concepções e passa-se a ver a criança como um indivíduo pertencente ao meio social com sua cultura e seu modo de entender o mundo, pois segundo Paula (2005) antes "a criança inexistia ou ficava adstrita a escassos momentos". (p.1). Ou seja, não participava do meio, era isolada como um indivíduo que nada sabe. Áries (1979) ressalta que "na sociedade medieval a criança a partir do momento em que passava a agir sem solicitude de sua mãe, ingressava na sociedade dos adultos e não se distinguia mais destes". (p.156). Ou seja, a criança passava a ser um "adulto em miniatura", e a viver como tal. Mas a concepção de infância vai sendo mudada conforme a sociedade passa a vê-la com um olhar mais centrado de que esta é um indivíduo que pertence à sociedade, que está inserido em sua cultura e dela aprende, tem "voz", ou seja, tem sua forma de vivê-la, e por esta é influenciada e a esta também influencia. Isto porque se acredita que a concepção de infância está ligada à cultura que vivemos e a sociedade que nós adultos criamos para as crianças, e como um ser moldado pela cultura e pela sociedade estas vivem as influências de sua época. Áries (1979) diz que "a 'aparição' da infância se dá a partir do século XVI e XVII na Europa, quando o mercantilismo, altera o sentimento e as relações frente à infância, modificado conforme a própria estrutura social". (p.14). Isto porque com novas viabilizações da economia e frente a novos desafios econômicos se pensava em como inserir a criança nesta mudança social. Desta forma, observo que conforme há transformações na estrutura social começa a se mudar também o conceito de infância, e isso frente à organização familiar; porque não se compreendia de certa forma e não se pensava a infância como na atualidade, ou seja, não se pensava, e não se sabia o que representava ser criança; isso porque a criança não se diferenciava do adulto e não era representada significamente na família, era vista como somente ligada ao grupo como qualquer outro personagem do contexto. (Áries, 1979, p.14). A percepção que se tinha era de um "ser em miniatura" que tinha que aprender a viver juntamente com os demais. Mas esses são alguns dos sentimentos de infância que Áries (1976) traz, ele mostra que com o passar do tempo e em cada época se criava um sentimento, um modo de perceber a infância, e foi o que ocorreu ao fim da Idade Média, onde surgiu a percepção da criança como um ser inocente, divertido, é o sentimento de "paparicação", onde a criança era vista como fonte de distração dos adultos. E após contrário a este sentimento surge o sentimento de irritação que segundo Áries, não se suportava o sentimento de paixão pelas crianças, na qual as pessoas beijavam estas. (p.158) Portanto, observo a cada época à busca para entender quem era a criança, em que lugar colocá-la em sociedade, ou seja, uma busca pela significação da infância, porque não se tinha claro para a sociedade o que era esta fase. Segundo Áries (1976) "o sentimento da infância corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem". (p.156). E isso não era visível a essas épocas ainda. Contudo, voltando às épocas mais atuais observamos que o reconhecimento por essa começa a aparecer, e esse reconhecimento vem segundo Paula (2005): Com o estabelecimento de uma nova ordem política, social e econômica, impulsionada por diversos fatores, dentre os quais o capitalismo industrial, o neoliberalismo e suas conseqüências (migrações, surgimento da família nuclear e burguesa, adstrição da criança à família e idéia de escola), ocorreram transformações que influenciaram a organização da estrutura familiar e, consequentemente a vida das crianças. (p.1) Com novas viabilizações da estrutura social, econômica e familiar, começa a voltar se a pensar na criança como um sujeito despreparado para tal sociedade, e desta forma surge à necessidade de prepará-la para viver neste novo estabelecimento; surge então a questão de escolarizar as crianças prepará-la para o futuro, e esse é um olhar que persiste até dias atuais, pois surgiu com a questão da industrialização, porque não tinha sido necessário até esta época escolarizar as crianças, as escolas existiam para os maiores. Isto mostra uma nova percepção da infância, e me faz pensar como houve a variação das concepções no decorrer dos anos, e isto é perceptível a meu ver, ao observar as concepções que relacionei anteriormente. Segundo os Referenciais curriculares (1998) "a concepção de criança é uma noção historicamente construída e consequentemente vem mudando ao longo dos tempos, não se apresentando de forma homogênea nem mesmo no interior de uma mesma sociedade e época". (p.21). Sobre estas variações me debruço a observar à concepção de infância nos dias atuais onde é possível ver o reconhecimento da criança, da infância como "um vir a ser" no futuro, é um olhar que por mais que se direciona a pensar nas crianças como sujeitos ativos e produtores de culturas ainda se almejam o preparo destas para o futuro desconsiderando-se o presente. Daí surge as problematizações sobre questões da concepção da infância na atualidade: a criança já é no presente, ou será somente no futuro? Deve ser considerada no presente ou deve ser vista somente como um ser que será só no futuro desconsiderando o que ela é, sua vida, seu olhar e sua formação no presente? Andrade (2007) que discute a concepção do "ser criança" na sociedade atual trazendo, dados de uma pesquisa feita por ela em seus trabalhos que trouxe indicações da criança estar sendo tida como um "ainda não", algo que se tornará sujeito um dia (quando adulto), pois esta tem sido vista como uma extensão dos pais, ou seja, não tem direitos próprios. (p.2) A autora complementa dizendo que as crianças têm sido consideradas como "menores" ou "ainda não cidadãos"; ressalta que, "a infância como realidade social, tem frequentemente permanecida afastada e excluída das reflexões sobre problemas sociais e qualidade de vida", pois "a moratória infantil (o ainda não) faz com que a criança esteja sempre em lugar de objeto em um processo macrossocial encaminhado a uma futura sociedade ideal". (p.3) Ou seja, deixar de ser criança no presente porque tem que ser algo no futuro, e sobre isto vemos duas realidades infantis uma em que a criança fica atribuída a ter muitas formações escolares (cursos) para prepará-la para o futuro na sociedade; ou muitas atribuições (afazeres) para adquirir o perfil social que é "ser ativo" atribuído de muitas tarefas o que acaba tirando o prazer da infância, pois estas crianças passam a não ter tempo para o brincar. Outra realidade é a que a criança acaba tendo que trabalhar por sua família não ter condições financeiras de se manter. No Brasil estes casos são visíveis, mas nunca colocado como pauta pela sociedade só por instituições que lutam pela questão do trabalho infantil e sobre outros aspectos da infância, mas este é outro âmbito de estudo na qual não vou me ater, pois não será o foco nesta pesquisa, apesar de ser algo relevante na questão da concepção de infância na sociedade atual. Neste estudo, venho questionar como a escola pensa a infância, e como ela lida com as questões de trabalhar com a valorização, com a questão de a criança ser preparada para viver na sociedade, mas de uma forma que não tire o prazer e seu momento presente de ser criança. Será que a educação tem sido pensada no sentido de respeitar e valorizar a criança no presente? Com esta perspectiva de entender como a escola a tem concebido, analisei a questão da infância que os Referenciais curriculares nos trazem. E a partir desta análise observei que o objetivo é a formação das crianças para o amanhã e isto porque a idéia de escolarização como vemos anteriormente surgiu nesta perspectiva de fazer a criança se preparar para "ser" no futuro. Segundo Guimarães (2003), "a educação no contexto da modernidade tem como perspectiva formar os adultos de amanhã, os artífices da futura sociedade". (p.3). Será que a educação tem sido pensada só nesta perspectiva, será que não se pensa na infância em si na questão de contemplar as capacidades, as percepções das crianças, os olhares destas para as questões da vida. Este mesmo autor ao analisar a questão da educação infantil nos Referenciais curriculares diz que "a educação infantil é situada na LDB como primeira etapa da educação básica, e tem como finalidade propiciar o pleno desenvolvimento da criança". (p.27) Observo então, que o objetivo não é só formar para vir a ser e sim fazer com que a criança se desenvolva no presente. Se desenvolver não seria ter voz ser considerada alguém ativo, com sua produção e seu modo de pensar? Mas nem sempre foi assim; A educação tradicional muitas vezes impediu isto e fez com que as crianças fossem tidas apenas como reprodutoras e não criadoras. Formavam-se indivíduos que não conseguiam agir por si só porque foram impedidos por uma educação que não considerava seu saber. E isto porque a educação era voltada a mecanizar os saberes das crianças, considerando-as como alguém que não sabe ou que não pode por ser criança. Não quero dizer assim que desta forma a criança seja autônoma não precise das intervenções dos adultos, mas que se ouçam as crianças e as veja como alguém que "é", não como alguém impossibilitado de ser no presente, mas deve propiciar as crianças formas de "ser" e "viver" a infância. Hoje observamos não só na educação infantil, mas nas séries seguintes a questão do considerar o conhecimento que a criança já tem, ou seja, conhecimentos do âmbito social de seu contexto, pois ela como participante da sociedade em que vive aprende e é influenciada por esta em seus conhecimentos e vivências; portanto, tem conhecimento, não é alguém vazio até porque a criança aprende com o mundo dos adultos e ressignifica a realidade, o aprendizado que viveu a "seu modo" para melhor entendê-los. Segundo os RCNs(1998): As crianças possuem uma natureza singular, que as caracterizam como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio, e isto porque, através das interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem as relações contraditórias que presenciam e, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos. (p.21) A criança tem que ter a oportunidade de "ser" no presente para "ser" no futuro. E um dos objetivos que os referenciais curriculares (1998) colocam é da criança desenvolver sua independência, a confiança em suas capacidades (p.63). Isto é considerar a criança como um ser atuante, como alguém que pode e não como alguém que por ser criança não tem voz. Desta forma, analisando as concepções dos referenciais vemos que este apresenta aspectos de valorização à infância na qual a criança é compreendida como alguém atuante, que possui uma cultura, um jeito de ser próprio. Com isto, a prática educativa deve buscar compreender um ensino que alcance esses objetivos, onde valorize esses aspectos da infância que os Referenciais curriculares trazem, mas isso será possível a partir de uma nova perspectiva de reconhecer a criança como produtora e não como somente produto a ser formada. Com isso, tendo em vista essa compreensão, voltei minha pesquisa a observar a prática de uma escola municipal, a qual me trouxe uma verificação, um exemplo, de como esta trabalha a questão da infância e qual o modo que a escola a concebe. Desta forma, verifiquei o modo como é estabelecida as atividades no ambiente escolar e os projetos, de forma a averiguar se pensam na formação da criança somente para o futuro ou se trabalham com ela o presente, ou seja, como um "ser" que "é" no presente. Tal escola situa-se em um bairro periférico de classe social baixa. São moradores oriundos de cidades nordestinas e que vieram para São Paulo tentar melhores condições de vida. A escola é de pequeno porte, composta por quatro salas que atende a três períodos: manhã, intermediário e tarde. Possui 10 professoras, uma coordenadora (diretora), e uma assistente de direção. Possui em seu ambiente um espaço (pátio) não muito grande, mas que atende ao número de crianças, há ainda um parque ao ar livre e brinquedos em condições favoráveis ao uso. Minha pesquisa se voltou a fazer observações práticas na rotina da escola no seu dia-a-dia, sendo que estas foram desenvolvidas durante três meses, tendo como foco observar os trabalhos que são desenvolvidos e, a saber, qual a concepção de infância que esta traz consigo. Vale ressaltar que esta pesquisa informará a concepção de uma instituição não tenho o intuito de generalizar a todas, pois cada uma possui seu olhar para a criança e para a infância. Nesta escola, pude observar na prática, que a mesma tenta por diversas vias trabalhar de modo a valorizar aspectos da infância: como as brincadeiras infantis; trabalhando questões da cultura; da imagem de si, e um outro aspecto é a autonomia da criança, a questão do expressar-se, de saber colocar suas opiniões, o que é interessante pelo fato de trazer à criança oportunidade de escolher o que gosta o que quer e o que acha ser bom; algo que traz importantes momentos onde a criança mostra seu olhar sobre as coisas e sobre o mundo a sua volta de modo a trazer a seu mundo infantil. Outro dado relevante na observação da prática desta escola foi a questão do conselho infantil que me levou refletir e ater o foco da pesquisa sobre esta por ser uma das formas que a escola trouxe de fazer com que a criança tenha seu espaço e que ela "seja", e atue conforme seu pensar, ou seja, a escola pode sim formar a criança na sociedade, mas deve considerá-la como um ser que é e está vivendo no presente. O trabalho desta escola nos mostra formas da criança relacionar-se com os adultos mostrando suas opiniões e ressignificando o que tem a sua volta, e produzindo cultura. Observei importantes momentos de atuação destas crianças, que são as vozes das demais frente à direção escolar e frente aos demais participantes do ambiente educativo. O conselho infantil começou a ser organizado em abril com o processo de eleição, onde as crianças que preenchiam o perfil disposto se candidatavam; perfil este elaborado pelos professores e alunos durante discussões sobre o que seria o perfil ideal para um representante infantil do conselho. E com isto o perfil disposto para a criança se candidatar era: saber falar, não ter vergonha de se expressar, obedecer a professora e a direção, e ter propostas de melhoria das atividades e do ambiente escolar. Os integrantes são escolhidos pelas próprias crianças e cada classe realiza a sua eleição e fazem a escolha de três ou quatro amigos que as representarão no conselho infantil, e também escolhem os suplentes para o caso de ausência destes. A escolha é realizada em cada sala, onde a professora explica e discute com os alunos, a importância da realização das escolhas destes amigos e da própria organização do conselho, e explica que elas deverão escolher conforme as propostas dos candidatos e verificar as mais viáveis e as que condizem com o que eles querem e acreditam. É um trabalho que é direcionado a fazer com que as crianças tenham autonomia nas escolhas dos projetos e nas atividades que serão desenvolvidas em cada mês. A escolha e a votação é algo que faz a criança se sentir contribuinte com trabalho desenvolvido na escola e se sinta autônoma em tomar decisões. Depois desta escolha dos integrantes, os eleitos passam a ser a "voz" de sua sala frente à direção e as demais crianças que foram eleitas das outras salas. Um exemplo do trabalho desenvolvido foi o mês da criança onde estas escolheram que atividades seriam desenvolvidas no decorrer do mês e isso foi feito na reunião do conselho infantil onde as crianças levantaram sugestões, aprendendo a respeitar as opiniões dos amigos e decidindo o melhor a ser desenvolvido e de acordo com que elas acham melhor e "legal". Nas observações que realizei no decorrer deste período pude verificar que as reuniões do conselho infantil são realizadas em mensalmente onde se decide temas específicos, como a festa junina, aniversariantes, festa de natal, etc. Essas reuniões são momentos na qual as crianças decidem as atividades que gostariam que fossem realizadas na escola e também optam por melhorias no ambiente escolar; a direção faz um levantamento das opções para melhorias e envia ao departamento, ou seja, há uma preocupação em valorizar o que as crianças opinam como também a participação destas. Deste modo, para o levantamento destas decisões e também destas opiniões as crianças se reúnem entre si juntamente com a direção que se torna mediadora da reunião e ouvinte das opiniões e escolhas feitas pelas crianças. Esta atividade mostra um espaço em que a criança deixa de ser "EN-FANT" sem voz para ser alguém com voz, que é ouvida e onde sua opinião é valorizada, ou seja, não é vista mais como um ser que não sabe e que por ser criança não pode trazer contribuição ao espaço escolar; é algo que faz a criança "ser", atuar, desenvolver e ressignificar o que a escola propõe e o que os professores a ensina a sua cultura infantil, sendo assim ela produz uma cultura e uma voz própria. Após esta reunião é feita a integração entre os representantes de todas as salas e após um consenso entre as escolhas; estes levam a pauta do que foi levantado para a sala e discutem com as demais crianças e a professora, que acaba mediando a discussão em sala, mas que dá "a voz" para que as crianças conversem entre si e escolham, ou seja, não interfere, só faz a mediação nas escolhas, e através deste momento em sala as crianças optam pelas atividades que acharem melhor, depois que cada sala fica ciente da pauta e dos levantamentos do conselho e fazem suas escolhas, o conselho se reúne novamente e faz o levantamento das respostas e reúne as que ganharam. Isto proporciona que as crianças desenvolvam autonomia de realizar suas escolhas e participam no que se refere às atividades de seu ambiente escolar e faz também, com que nestas interações, nestas trocas de opiniões, a criança construa sua identidade, sua maneira de ser, isto porque segundo Guimarães (2003) "a identidade pressupõe um processo de interação entre individuo e sociedade, capaz de fornecer as condições para que uma nova situação diferencial se estabeleça". (p.30) Ou seja, essa troca, essa socialização de idéias entre as crianças favorece novos aprendizados e novas construções em sua identidade fazendo as ter "voz". Segundo Paula (2005) diz "as crianças são sujeitos atuantes e por isso, criticas e construtoras de seu mundo". (p.1) As crianças por meio do conselho atuam de forma democrática onde acabam aprendendo a se expressar, a ouvir os outros amigos e a respeitar as opiniões, e também a estar por dentro e a serem autoras das atividades e dos projetos que são escolhidos por elas. É algo muito interessante, pois se vê e se reserva um espaço onde a criança deixa de ser EN-FANT "aquele que não fala" para ser atuante e dessa forma exercer uma autonomia de se expressar e de interpretar as atividades no ambiente escolar conforme suas culturas infantis, pois a criança elabora a partir do que vivencia em seu contexto, e acaba recriando a sua vivência de mundo, e interpretando ao seu modo infantil, a sua cultura e a sua forma de ver e perceber o mundo. Favorecer um espaço em que a criança possa discutir, possa optar, possa expressar seu modo de olhar o mundo é algo muito rico e incide outro olhar da escola, e dos envolvidos no ambiente escolar, pois deste modo a escola passa a ver as crianças como "alguém que é", e não que será; mas isto incide também outro modo de pensar em que favoreça mais a participação das crianças, incide um olhar educativo que pensa não só no futuro das crianças, mas que as reconheça no hoje, no presente, vendo-as como alguém que aprende com o presente e está a ser formar a partir deste. O conselho infantil mostra-nos outro olhar a infância e isto é algo que nem todos os envolvidos no âmbito da educação têm, ou seja, nem todos percebem a infância como algo presente, a criança como alguém que tem suas percepções, suas escolhas e sua cultura. Muitas das vezes o que permanece no ambiente escolar é um olhar a infância como algo que tem que ser formado e que nada sabe que não sabe se expressar, e acaba não ouvindo a criança, e vendo esta com o papel de "executora" do que os adultos que tudo sabe dizem; o que acabam trazendo uma infância sem valor e sem a percepção do que a própria criança acredita ser; é uma desvalorização ao olhar da criança, a sua cultura. Algo que influencia a própria aprendizagem escolar, pois a criança sendo percebida e tratada desta forma acaba limitada, o que influencia muito seu convívio em sociedade, pois a criança não consegue "ser" por ter sido tratada como alguém que "não é" e que um dia "será".Segundo Paula (2005); Considerar a infância como uma categoria social ou estrutural, não significa afirmar que as crianças estejam descoladas da sociedade, que tenham total autonomia no processo de socialização ou que suas produções ocorram sem interlocução com o mundo social dos adultos. Mas é necessário compreender que elas atribuem outras significações e sentidos sobre as coisas à sua volta e, sobretudo ao que fazem. As crianças transcendem as regras instituídas pelos adultos e instituem outras de acordo com as relações que estabelecem com seus pares, pois se sabe que os laços de amizades entre as crianças e, consequentemente, as teias de interesses afins encorajam as "invenções", possibilitando a expansão de acordos, de criações, de expressões, enfim, de produções culturais. (p.2) As crianças nesta perspectiva possuem culturas que são construídas a partir das ressignificações que fazem das ações dos adultos tornando assim sujeitos que recriam o seu modo e a sua forma de entender e compreender aspectos do mundo, sujeitos construtores de uma cultura própria. É o que os RCNs (1998) traz em sua concepção: As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. E isto através das interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem as relações contraditórias que presenciam, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos. (p.21) Ou seja, considera-se assim a criança com uma característica própria em que ela é criadora e produz o que é significativo a seu ver; deixando assim de considerá-la como ser que nada sabe e nada produz ser passivo e reprodutor do que os adultos estabelecem que faça. É algo que passa a trazer uma nova concepção de infância, pois se acredita assim que a escola, a educação será contribuinte que a criança se desenvolva sendo atuante, criativa, que seja um individuo participante de seu processo de aprendizagem e não um indivíduo passivo que só recebe, pois olha-se as criança como sujeitos que nada sabem, incapazes, e na verdade se surpreendem quando a criança traz respostas, traz significados que nós adultos não compreendemos e até questionamos como ela sabe? Mas na verdade a criança aprende com cada experiência que vive no mundo e com os adultos que lhe são referências, mas trazem ao seu modo e adquire um novo olhar. Portanto a escola, a educação deve pensar nesta perspectiva. Muitas vezes nós professores passamos atividades e pensamos, "mas são crianças não saberão lidar com tais propostas", e na verdade elas nos surpreendem, pois demonstram saber mais do que acreditávamos que fariam. A prática desta escola, este projeto com o conselho infantil deixou-me perceptível a confiança, a crença em que as crianças têm a contribuir e isso é algo muito valorativo à educação, mas que implica mudanças no modo de pensar dos envolvidos, como já foi dito, porque se tem com isto uma nova perspectiva do trabalho escolar, ou seja, não só de formar, mas também de acreditar que a criança "é" no presente o que contribuirá a ela a ser no futuro. Desta forma, me leva a pensar em uma prática que vise uma abertura de espaço para a criança atuar, não ser alguém passivo, mas ser um autor de suas experiências e significações. Vejo um diferencial nesta escola pesquisada, pois são poucas que pensam na criança como um ser que pode opinar que pode participar, que pode se expressar e que pode ter seu querer, sua escolha; é raro porque é algo é difícil entender a infância nesta perspectiva, pois mudam alguns conceitos que a escola carrega consigo, porque se acredita que deste modo o adulto acaba perdendo a autoridade, mas não é algo que tende a tirar autoridade até porque mesmo a criança tem que ter uma referência, mas nada disso influi sobre esta questão e sim acaba gerando uma aproximação maior entre a criança e o adulto fazendo os ver com percepções diferentes. A partir do momento em que a escola passa a proporcionar um trabalho assim onde a criança tem seu espaço, participa das atividades escolares fazendo escolhas, ela passa a proporcionar que esta se torne criadora de uma cultura própria. Nesta perspectiva, a escola passa a ressignificar seu trabalho, e isto ao estabelecer que este tenha a opinião delas, e a visão de mundo que elas têm em sua "interpretação infantil". É um trabalho que facilita também a integração entre os adultos e as crianças, possibilitando aos adultos conhecerem e contextualizar-se ao universo infantil, como forma destes saberem lidar com as crianças no âmbito escolar. A educação infantil não é pensada muitas das vezes desta forma, pois o que se vê é a criança sem nenhum conhecimento, sendo considerada "vazia", sem formas de "ser", ou seja, um ser incapaz que deve a educação ser e fazer tudo por elas. Durante a pesquisa de observação conversei com algumas crianças de seis anos que integram o conselho infantil, e nesta conversa me disseram gostar de fazer parte do mesmo, mas disseram se sentir por vezes com "vergonha" por ter que dar opinião e falar; isso me fez refletir que sendo assim motivados a se expressarem, a opinar, aos poucos eles acabam se manifestando de forma natural, sem mais se sentirem "temorizados" em expressar suas opiniões. Certa vez acompanhando a fala de algumas crianças integrantes do conselho frente à sala, em um momento de socialização da pauta da reunião do conselho infantil, uma das integrantes chamou-me a atenção em sua forma de expressar, muito "esperta" repetia como que de 'postura adulta" as sugestões, opiniões dadas em reunião e explicava como deviam ser feitas as escolhas das opções. Foi um momento marcante, pois nos trouxe a reflexão de como a criança traz para si as formas e as ações do mundo adulto e de como esta referência é importante para elas, pois elas acabam produzindo uma cultura própria a partir dessas aprendizagens. Este é um trabalho que, como diz Jobim e Souza (1994) et al. Andrade (2007), "faz-se uma ruptura com a representação desqualificadora de que a criança é alguém incompleto, alguém que constitui em um vir a ser no futuro". Pois segundo estes autores ressaltam "a criança não se constitui no amanhã; ela é hoje, no seu presente, um ser que participa da construção da história e da cultura de seu tempo". (p.4). Desta forma, como se pode pensar na criança em um ser que será só no futuro, desconsiderando sua atuação no presente fazendo assim viver e a ser um sujeito sem "voz", alguém como uma "tábula rasa", vazio, sem nada a contribuir agora, só futuramente quando adulto; a educação como descrevi já teve e ainda tem visões como estas. A criança tem sim a contribuir nos fazer entender seu universo e a nos mostrar qual a melhor forma que ela poderia e pode aprender o que ela pensa etc., e a melhor forma de contribuirmos é abrindo um espaço em que ela possa ser estar e atuar, ou seja, um espaço em que possa ser criança, em que possa ter uma infância com "voz". Contudo, acredito que o modo como a sociedade vê a infância influência sobre a forma da escola ver a mesma, mas pensar em como ter um olhar diferenciado, em não só pensar na criança no amanhã, mas sim na sua formação no presente é algo que a educação tem que estar refletindo, a escola tem que pensar em formas de alcançar estes aspectos no que diz ao desenvolvimento das crianças. No entanto, esta questão nos traz várias reflexões contínuas sobre o modo como a infância tem sido concebida no espaço escolar, mas acreditamos que esta pesquisa é só uma introdução, uma reflexão, uma "provocação" a nós educadores a pensarmos na infância na atualidade de forma diferente, acreditando nas crianças como sujeitos capazes, atuantes, com "voz". Desta forma, fica em aberta a questão para novas curiosidades que darão continuidade e abrirão janelas para e contínuas reflexões.