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terça-feira, 26 de abril de 2016

Estrelinha do Saber

Exercícios Lógicos e Matemáticos

"A autoalienação tem início quando acreditamos em tudo, e o pior de tudo, sem questionar nada..." Progresso tecnológico não significa necessáriamente progresso consciencial, nem uma melhor qualidade de vida, basta que se veja a degradação cada vez maior do meio ambiente em troca de uma insaciável fome por recursos para alimentar esse mesmo "progresso"...

Computação para Crianças

Computação para Crianças antes dos 3 anos de Idade? Autor: Site de Dicas, Alberto Silva Filho [1] Hoje, mais de que nunca, precisamos ficar atentos aos novos condicionamentos patológicos que a mídia despeja todos os dias dentro de nossas casas... "A autoalienação tem início quando acreditamos em tudo, e o pior de tudo, sem questionar nada..." Progresso tecnológico não significa necessáriamente progresso consciencial, nem uma melhor qualidade de vida, basta que se veja a degradação cada vez maior do meio ambiente em troca de uma insaciável fome por recursos para alimentar esse mesmo "progresso"... Computação para Crianças A criança se torna confiante quando recebe tarefas que podem ser realizadas... O presente artigo foi baseado no resultado de um estudo realizado por pesquisadores em educação a pedido de três grandes corporações do ramo de Software nos Estados Unidos, entre 1998 e 2003. Elas são pioneiras no ramo do Software Educativo, embora algumas já nem existam mais. Foram elas, Broderbund Software, Knowledge Adventure e Byron Preiss Multimedia. E há atualmente uma forte onda oportunista cujo postulado é: "A criança de hoje é mais inteligente porque já nasce imersa num mundo de tecnologia de ponta." E para os defensores desse "projeto conceitual", inteligência se resume a saber teclar com desenvoltura mensagens nas redes sociais, assim como estar apto a navegar, mesmo que sem direção, em meio ao imenso acervo de informações que disponibiliza a Rede Mundial. Por isso, os grandes fabricantes de utilitários eletrônicos, tais como Smartphones, Teblets, e outros, impedidos que foram de fazer publicidade diretamente dirigida ao público infantil, seu alvo da vez, agora apelam emocionalmente aos pais, na verdade uma forma indireta de alcançar seu alvo original. Daí o apelo de que tecnologia nas mãos de crianças, na verdade dos bebês, é um caminho necessário para se criar uma nova geração de crianças prodígio. Precisamos ficar atentos a tudo isso, uma vez que novos estudos apontam exatamente o contrário. Agora já se sabe que informação virtual demais torna o sujeito de menos. Isto é, não precisamos mais pensar, nem refletir sobre um assunto qualquer, uma vez que se, alguém já fez isso antes, basta copiar e colar. Resultado? Um jovem que perde aos poucos sua capacidade crítica, e ganha uma mente cada vez mais preguiçosa, apática, adepta da acomodação, partidário da lei do menor esforço, facilmente condicionável, um perigo para o seu próprio futuro existencial. De qualquer modo, a presente matéria tem a intenção de mostrar que essa preocupação já existia há 15 anos atrás, por isso vale uma análise e reflexão. Criança merece respeito... De uma coisa já se sabe, crianças que nessa faixa etária, ou seja, abaixo dos três anos de idade, são levadas a estudar contra sua vontade, quase sempre desenvolvem uma forte aversão pelo estudo, e o pior de tudo, sua autoestima fica comprometida. É quase certo que no futuro venham a ter problemas sérios de personalidade, tais como insegurança e inconsistência em seus interrelacionamentos. Profissionais e pesquisadores da área de educação, concordam agora que estas crianças melhor se desenvolvem quando não sofrem pressão e estão livres para explorar o mundo analógico ao seu modo. Então, como devemos nos comportar diante da recente enxurrada de softwares educacionais e brinquedos eletrônicos destinados ao público infantil de todas as faixas etárias, cuja promessa é revolucionar o modo tradicional de ensino, fazendo mesmo o papel de pais e educadores substitutos? Bom, antes de tudo, fique de olhos abertos! Um promete ensinar números; outro, letras, cores, formas geométricas e partes do corpo humano, para crianças já a partir dos 6 meses de idade. Outro, de forma bizarra e irresponsável, garante que crianças entre 2 e 3 anos já são autossuficientes quando o assunto é manipular computadores, Smartphones e Gadgets de última geração, para entender letras, números, música e vocabulário, assim como compreender a vida, suas distorções e antagonismos. Enfim, garantem, são os gênios dos novos tempos, e já se mostram capazes de discernir sobre o que desejam para construir seu futuro, etc., etc. Cuidados especiais e alerta... Inicialmente, qualquer software para crianças de 6 meses é um completo absurdo, pois sequer são capazes de enxergar com distinção as coisas à sua volta. Ocorre que seu sistema sensorial ainda é carente de quase tudo, e agem primariamente, nessa fase, como legítimos autômatos, mas sem autonomia. Isso quer dizer que, crianças nessa idade já sabem imitar, mas não sabem por que o fazem. Sabem reagir a estímulos, mas são incapazes de avaliar se são nocivos ou benéficos para sua formação cognitiva. Mas, já são capazes de criar vínculos de dependência emocional e psicológica, com sensações, pessoas e objetos. Trata-se de uma fase crítica onde seu cérebro busca recursos para criar as primeiras sinapses que ligam as experiências sensoriais às suas respectivas origens. E nesse escopo se inclui o desejo por explorar para ver como as coisas funcionam. Por isso precisam interagir com humanos para aprenderem a se tornar humanos. Lembre-se, elas são humanas apenas virtualmente, em potencial, uma vez que ainda nada conhecem do mundo, das necessidades e dramas da vida em sociedade. Isso elas aprenderão de outros humanos, e a qualidade de sua formação psicológica, inteligência, senso de moral e ética, vai depender da fonte de onde irão extrair esse conhecimento. Só um humano é capaz de ensinar outro humano a viver a experiência humana. A criança precisa tocar, apalpar, aprender sobre o espaço e a consistência concreta de todas as coisas do seu entorno, tropeçar, sentir, experimentar as leis físicas de forma natural enquanto vasculha sua mesologia; aprender a pensar a partir da análise objetiva dos fatos, a discernir sobre o errado ou certo, sobre aquilo que acrescenta e sobre aquilo que representa um retrocesso existencial. Por isso mesmo, asseguram os pesquisadores em educação, pelo menos os verdadeiros e sérios, que crianças nessa idade não precisam de computador, pois elas deverão trabalhar a sensibilidade e desenvolver suas habilidades naturais através de atividades que reforcem os sentidos; precisam do contato com as coisas concretas. Mesmo as crianças na faixa etária entre 2 e 3 anos poderão ser prejudicadas, uma vez que deixarão de exercer atividades normais, essenciais para seu desenvolvimento físico e emocional. A partir disso poderão desenvolver, além de doenças próprias do Stress adulto e sedentarismo, dificuldades para relacionar-se com outras pessoas, carência emocional profunda, suscetibilidade às patologias depressivas, e uma evidente indiferença e falta de interesse para com as coisas e problemas do mundo real. E tudo isso já podemos constatar entre nossos jovens, onde as psicopatologias, caracterizadas por um vazio interior e falta de lastro emocional para suportar as vicissitudes da vida já representam importantes obstáculos para um desenvolvimento psicossocial equilibrado. Daí os vícios, a falta de objetivos consistentes, a ausência da automotivação criativa, cujos desdobramentos negativos são óbvios. Mas, ainda temos tempo de impedir que o mesmo aconteça com os mais pequenos. A Criança e o Software... Entretanto, o software infantil pode ter seu espaço em casa, se for usado como processo complementar, e não como substituto para compensar outras carências. Deve ser visto como uma ferramenta lúdica e usado com moderação consciente. Mas "essa ferramenta" deve ser escolhida com muita cautela e critério técnico. Aqui não vale o que está escrito nas entrelinhas da propaganda ou marketing do produto, ao invés disso, procure por ajuda especializada, mas, escolha bem esse profissional. Prefira alguém sabidamente qualificado e que seja de sua inteira confiança. Um aplicativo virtual não é capaz de substituir a autêntica abordagem cognitiva, afinal de contas, criança precisa interagir com outras crianças, aprender através dos pequenos conflitos, enfim, vivenciar dissabores e sabores e com isso criar um lastro consistente para ser capaz de enfrentar, mais tarde, os grandes e inevitáveis conflitos próprios da vida em comunhão. Como ferramenta educacional, o software ou aplicativo deverá ser avaliado quanto aos supostos benefícios que irão proporcionar ao pequeno usuário. Uma criança sem nenhum repertório cognitivo é alvo fácil de manipulações, condicionamentos patológicos, e desenvolvimento de traumas, inconscientes e conscientes, difíceis de descartar depois. Por isso é preciso conhecimento técnico e acima de tudo bom senso na hora de fazer essa escolha. Nem tudo que se apresenta como ferramenta didática é ferramenta didática. Na verdade são raros os casos onde essa afirmação é correta. No entanto, não são raros os engodos, a falsa publicidade, e até mesmo os estudos apresentados por especialistas patrocinados, cuja função é convencer pais, educadores, e até mesmo corpos docentes especializados, de que seu produto é atestado e eficaz. Mesmo para uma criança maior, acima de 5 anos, a cautela deve ser a mesma. Primeiro aprender sobre o mundo real, convívio olho no olho, toque pessoal, problemas concretos, e aos poucos inserir a ferramenta cibernética, não como uma solução para todos os problemas, ou mesmo para compensar carências afetivas, mas apenas como o que realmente é, ou seja, um recurso facilitador para algumas tarefas. As vezes, se bem direcionado, de forma consciente, poderá ser usado como apoio para pesquisas verdadeiramente úteis e mais sérias. Só não devemos sucumbir, sem duvidar, das campanhas publicitárias, que, ao elegerem as crianças como público alvo da vez, estão apenas tentando criar um novo nicho de mercado para distribuir seus produtos, muitas vezes lixos virtuais que, como instrumentos cognitivos, não servirão para absolutamente nada. Mas, para distrair e criar indivíduos dispostos a não pensar, serve. Conclusão: Uma ferramenta educacional virtual voltada para essa faixa etária, de fato, praticamente não existe, mas, como já foi dito antes, existem as falsas promessas. Não caia nessa, duvide de tudo, prefira o modo educativo tradicional, e depois de mais crescidos, avalie cada nova investida dessa indústria, suas novas abordagens, sua tática de guerrilha de criar falsas necessidades, falsos tutores pedagógicos virtuais, e o pior, com o apoio de muitos especialistas patrocinados. Existe mesmo um mercado de especialistas, na verdade são grupos financiados pelos fabricantes de softwares, aplicativos e acessórios eletrônicos, cuja função é disseminar falsos e convenientes estudos que atestam, não apenas a qualidade dos seus produtos, como também demonstrando através de estatísticas fictícias o quanto são eficientes seus métodos pedagógicos, ou propostas didáticas. Uma cognição se consolida a partir da autoexperimentação, não há outro meio. E em meio a tudo isso os aportes, inclusive os cibernéticos, são bem vindos, desde que usados com critério e bom senso; desde que realmente tenham valor, que demonstrem através de fatos seus benefícios. Promessa, ou recurso didático algum será capaz de construir, ou injetar, um repertório cognitivo significante em uma criança, se ela não faz uso do insubstituível esforço pessoal, do contato presencial com as situações do dia a dia, sejam experiências desagradáveis ou agradáveis, afinal de contas, tudo isso faz parte do viver, viver não virtual. Em tempo, para uma reflexão, eis a frase de um publicitário, antes de começar a elaborar uma nova campanha: "Precisamos convencer o comprador de que realmente ele precisa do novo produto, e o mais importante, fazê-lo crer que está fazendo essa escolha porque esta é sua vontade."

A Criança e a Autoestima

A Criança e a Autoestima Autor: Jon Talber[1] Um breve estudo que avalia os processos que irão atuar de forma negativa ou positiva na construção da autoestima infantil... "Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..." A Criança e a Autoestima O especialista em educação que não se tornou especialista na ciência da vida, é um tolo que se julga sábio... Um processo autônomo, como o gesto de engatinhar, ficar em pé e eventualmente andar, ou aprender a pegar, segurar alguma coisa, nada disso requer inteligência, uma vez que são processos involuntários, naturais, do mesmo modo que o são, o olhar, o sentir cheiro, o escutar sem direito a escolha. Já sabemos pegar nas coisas de berço, e com o tempo apenas vamos aperfeiçoar a técnica. E depois aprendemos a dar nomes aos objetos com os quais interagimos. E para nada disso é requerida a inteligência, pois trata-se de um mero gesto de repetição, imitação, assim como o faz um papagaio, que é capaz de reproduzir sons que se assemelham aos vocábulos humanos, mesmo sem saber o que significam. Criatividade, quando a aplicamos no mundo psicológico, não significa o estar apto a repetir ou imitar, a decorar pantomimas para depois praticá-las como se fossem habilidades. Podemos ter ideias, mas isso na verdade reflete apenas uma diferente forma de se ver algo já existente. Nesse caso, é uma ideia anterior que ora segue modificada com aparência de nova. E assim também ocorre com nosso comportamento, que se parece coisa nova, quando na verdade apenas o veículo somático, que é nosso corpo, é novo, mas não os hábitos incorporados. A insatisfação e satisfação, opostos de um mesmo estado, é a causa e o efeito de toda ação humana. É o que determina o que devemos ou não desejar, procurar obter, evitar. É o combustível que permite traçar nossos objetivos de vida. E a partir destes dois pontos equidistantes de uma mesma coisa, está centrada a incessante busca existencial do indivíduo, sendo também a base para a criação de todas as personalidades humanas. E disso também resulta a maioria dos estados emocionais do homem. Tristezas e alegrias, melancolia e euforia, medo e coragem, falta de confiança e confiança em si mesmo. Também os motivos causadores de cada um destes estados estão associados ao desejo de se obter satisfação. Isso quer dizer, o fato de ser aceito, bem sucedido, bonito, capaz, idolatrado, desejado, ter poder, e até ser o preferido das divindades. Compreender porque desejamos sempre mais do que exigem nossas necessidades, liberta a mente, o ego acumulador, da ânsia de fama e poder. Assim, ainda na infância, as expressões que identificam as frustrações banais próprias dos adultos, educadores involuntários e voluntários das crianças, não deveriam ser demonstradas explicitamente. Uma frustração adulta por qualquer motivo, que se torna coisa corriqueira, quando exortada diante de uma criança, sinaliza para a mesma que aquele comportamento é natural, que deve ser imitado. E embora intelectualmente aquela criança ainda seja incapaz de compreender o que está acontecendo e associar às causas motivadoras daquele estado, no entanto, os efeitos emocionais ilustrados pela ansiedade, agitação, inquietação, intolerância e irritabilidade, estes são de compreensão e assimilação imediata. Confiança em si mesmo é quando conseguimos enfrentar nossos próprios medos e limitações. É o sentir-se capaz de superar obstáculos que se apresentam como grandes problemas. Isso se consegue quando se têm automotivação, que é um sentimento de certeza interior. A certeza de que os problemas poderão ser superados não existe na mente de um medroso, onde lhe falta a confiança em si mesmo. Essa qualidade não é inata, mas produto de aprendizado, e é absorvido de pessoas que estão à sua volta, e na maioria das vezes tudo isso ocorre de forma involuntária. Já se sabe que uma criança começa a compilar informações que farão parte do seu repertório cognitivo e consequente personalidade alguns meses antes do seu nascimento. E ainda no ventre da mãe, ela escuta, recebe doses de adrenalina e outros hormônios diante das variações comocionais da sua hospedeira; cria dependências, intolerâncias e tolerâncias somáticas por drogas, sejam elas medicamentosas ou não. Nesse estágio pré-natal, ela também desenvolve antipatias ou simpatias por pessoas, orientada por timbres de voz e processos sonoros e a consequente resposta emocional da mãe. E tudo isso são assimilações, e mesmo que involuntárias, irão dar forma a traços importantes de sua personalidade, aquele recipiente gigante onde também está contido o seu temperamento. E depois de nascida, uma criança que convive diariamente com lamentações, sentimentos de mágoa, ressentimentos e autovitimizações, jamais terá forças para enfrentar seus dilemas pessoais. Terá sua motivação e energia pessoal canalizada apenas para expressar os estados de apatia e as frustrações, que são os sintomas naturais daqueles que insistem em cultivar mágoas e desafetos. Sentir-se-á ela incapaz de realizar qualquer coisa, exaurida, insegura por não se achar apta para nada, sequer para pensar com clareza. E quando adulta, acabará por repetir as lamúrias que lhe serviram de lastro cognitivo no passado. Desse modo, a autopiedade tornar-se-á seu mestre psicológico. E sob o domínio dessa força assediadora, não terá forças para reagir diante de problemas. Tenderá a depender daqueles que resolvam tais questões para si. Criamos então mais um acomodado, conformado, preguiçoso pela incapacidade de vencer a si mesmo; amargo por tentar identificar sempre nos outros os motivos para suas frustrações e insucessos pessoais. Do mesmo modo, quando se exige de uma criança a perfeição, acabamos por criar um individuo isolado do mundo, demasiado crítico, medroso de ser repreendido, cuja preocupação com a opinião alheia será mais relevante do que sua própria felicidade. Terá medo até dos próprios pensamentos, embora, na maioria dos casos, jamais descubra os motivos pelos quais age dessa forma. Mostrar desde cedo, com clareza e cordialidade, sem exigências de impecabilidade, que os problemas poderão ser resolvidos, desde que enfrentados com a devida coragem. E isso quer dizer determinação, qualificação e a vontade de investigar motivada pela dúvida. Essa base prepara emocionalmente a criança para encarar com lucidez essas questões. Do mesmo modo, é fundamental fazê-las compreender que os erros, longe de evidenciar fraqueza ou imperfeição, são os únicos guias para os acertos, sendo, portanto, uma das mais elevadas práticas cognitivas. Assimilado tudo isso, se tornarão naturalmente mais tolerantes, mais flexíveis em seus julgamentos e planejamentos. E então seus temperamentos inatos poderão aflorar de forma saudável. E se antes poderiam atuar como fatores deformadores da personalidade, agora poderão se tornar aliados na potencialização dos seus traços positivos ou virtudes. E, finalmente, devemos nos lembrar de repreender uma falha com orientação e esclarecimento, assim como os acertos com incentivo e dicas de qualificação. Lembrando que no processo de orientação, para que ela apreenda e tome gosto em dar atenção à informação que está recebendo, a paciência é um item insubstituível e inegociável. Do mesmo modo, um acerto não se incentiva com prendas ou elogios fáceis, mais com encorajamento, apreciação genuína, com exemplos e demonstrações claras e inequívocas de que aquilo tem algum valor.

As Frustrações Infantis

As Frustrações Infantis Autores: Jon Talber e Ester Cartago[1] As Frustrações Infantis. O que sabemos sobre o assunto e como lidar de forma inteligente com tão delicada questão? "Para compreender a vida não se requer uma certa quantidade de energia, mas de toda disponível..." As Frustrações Infantis Diante de um Professor consciente há sempre um aluno presente... Educador não deveria ser aquele que simplesmente se especializa na arte de instruir, que acaba por ensinar qualquer coisa. Pode ser um mau ou um bom hábito; a assimilação de uma mania, gesto involuntário ou voluntário, tudo isso é conhecimento. Um instrutor normalmente faz isso, é ele, um multiplicador do conhecimento. Pode ser uma simples experiência pessoal ou uma tradição milenar que se replica, e ambas, em forma de instruções, irão fazer parte do acervo cognitivo de um indivíduo. Um livro pode se tornar um eficaz educador, assim como um mito, uma crença, um tabu, uma propaganda que pretenda criar novos hábitos de consumo ou novos estilos de comportamento, e a tudo isso, podemos chamar de instrutores. Se aquilo que se prestam a ensinar é coisa inútil ou útil, isso é outra história, o que não anula seu papel de preceptor ou professor. A maioria dos “educadores” do mundo poderiam se enquadrar nessa categoria. Quando observamos o viver da humanidade, suas formas de convívio social, angústias coletivas e individuais, as causas de suas ansiedades, seus medos, suas vaidades e ganâncias, coisas que fazem parte da sua extensa cadeia de problemas existenciais, não há como negar que tudo isso também faz parte do seu conhecimento acumulado. E os novos moradores do planeta, que somos nós, acabamos por herdar dos nossos ancestrais, sem direito a escolha, toda essa colcha de retalhos mal costurados, num ciclo sempre repetitivo, desde as primeiras gerações. E como este conhecimento formata, dá origem ao conteúdo da mente dos novos inquilinos, criando suas personalidades, que por sua vez formam, constituem a massa dessa humanidade, podemos afirmar que a mentalidade do mundo é o nosso principal agente cognitivo. Ela se manifesta através de nós, seu pensamento é nosso pensamento, suas necessidades são também as nossas, assim como seus objetivos existenciais, e tudo o mais. E o mundo repassa então seu conhecimento para seus filhos. E se esse mundo não caminha em nenhuma direção coerente, também esse será nosso destino. E através de nós, seu pensamento se transforma em ação. E através de nós seu pensamento poderá permanecer inalterado, ou talvez, ser reciclado. E eis que surgem os nossos filhos, os adultos do futuro, cujas mentes são como livros com folhas em branco; folhas nas quais podemos escrever qualquer coisa, até nossas frustrações e medos mais inconscientes. Também nossos desejos e vaidades, nossos desafetos e afetos, enfim, muitos traços de nossa personalidade. Eles não podem evitar que isso se cumpra, mas, como educadores ou pais, se estivermos cientes desse fato, talvez possamos mudar a qualidade dessa escrita. A sensação de não se ter um desejo realizado, um resultado idealizado e planejado diferente daquele esperado, disso resulta o sentimento que conhecemos como frustração. Claro que crianças, pelo menos as pequenas, ainda não sabem o que isso significa, não conhecem as causas capazes de despertar tal sensação. E embora o sentimento de frustração seja coisa inata do temperamento involuntário de cada um e necessária ao instinto de sobrevivência, em nós, seres racionais e civilizados, isso acaba por se manifestar com uma proposta bem diferente da original. O sentimento de frustração, como traço instintivo, serve para nos alertar dos perigos, das dissonâncias que põem em risco nossa integridade física. Isso nos faz chorar quando estamos com fome ou em apuros, no berço, longe dos braços de nossa mãe, chamando-a para nos socorrer, e assim por diante. Embora a frustração seja um estado natural, inato, um atributo necessário à sobrevivência animal, há outra variedade, e esta foi criada por nós. Surge quase sempre quando as muitas expectativas criadas pelo nosso pensamento acabam por encontrar obstáculos difíceis de superar à sua frente. Isso pode ter como motivação problemas sérios, ou caprichos dos mais simples e estúpidos. Esta “frustração” virtual ele, o adulto, cria e repassa para seus filhos e educandos. Esta frustração, ele primeiramente apreende, absorve, dos seus ancestrais, e depois de praticar em si mesmo, dá de presente para seus descendentes. E assim tem sido ao longo das eras. Se isso vai continuar indefinidamente, apenas nós, como multiplicadores de tradições, manias, costumes e personalidades, podemos decidir. Perceber que a coisa ocorre desse modo, isso é o despertar da inteligência. Só podemos ensinar se nos tornarmos inteligentes, ou então seremos apenas “instrutores” ou multiplicadores das deformações, perturbações, da pedagogia patológica que já existe em nosso mundo. Ensinar a ser inteligente não é a mesma coisa que ensinar a repetir aquilo que já praticamos. Inteligência começa com questionamentos, com o princípio da descrença, onde tudo deve ser investigado, examinado, avaliado, com liberdade, sem medo de repressões, sem exceções. Só uma mente que admite não saber é capaz de aprender. Só uma mente que não sabe, que duvida até de si mesmo, pode se tornar inteligente. E a inteligência começa com o princípio da auto-organização, que conduz à autodisciplina e a autocognição, e tudo isso requer liberdade de pensamento. E essa liberdade é fundamental. Sem ela não há chance alguma de progresso psicológico. As tradições, com seus tabus e dogmas, com as incontáveis doutrinas que são nossas condicionantes, estas, não permitirão mudanças, iniciativas que possam colocar em risco seu despotismo. Precisamos estar livres para pensar, divergir, duvidar. Dessa liberdade nascerá a verdadeira disciplina, que é o caminho natural para a organização. Criamos o mundo; somos a imagem do mundo com suas deformações, e a menos que se promova uma mudança no rumo do nosso padrão de pensamento, jamais harmonia e bom senso farão parte dos nossos dias. E não adianta nos enganarmos, pois a lógica é bastante simples, uma mente deformada só é capaz de criar ainda mais deformação, nunca o inverso.

A Criança e os Pensamentos Negativos

A Criança e os Pensamentos Negativos Autores: Jon Talber e Ester Cartago[1] Afinal de contas, por que precisamos replicar nossas psicopatologias mais bizarras e comprovadamente inúteis para nossos filhos? "Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..." A Criança e os Pensamentos Negativos Do mundo não precisamos ensinar senão aquilo que é comprovadamente coisa útil... Como uma esponja, com extraordinário poder de absorção, assim é também a mente viçosa de uma criança. E ainda no ventre da mãe, alguns meses antes do nascimento, já assimila informações. Nascida, seus sentidos extremamente apurados, mais que o de qualquer adulto, já estão aptos a captar tudo que ocorre no seu entorno. E fará isso com a mesma voracidade de um animal faminto diante da sua primeira refeição do dia. É uma estratégia da natureza, uma vez que o cérebro humano, por ser muito mais complexo que o de qualquer animal irracional, precisa de grande flexibilidade e isso quer dizer muita informação. Assim ele é capaz de aprender mais de uma coisa simultaneamente, e depois memorizar as particularidades de cada uma delas, requisito essencial para a etapa seguinte, que é a construção de um formidável banco de memórias. Graças a essa característica, única no reino animal, a criança mais tarde será capaz de deduzir, o que quer dizer, pensar de forma organizada, lógica, e a partir daí planejar e agir. Nessa disposição ímpar para aprender, ela é capaz de apropriar-se de qualquer coisa, inclusive as más influências e os estados emocionais negativos dos adultos, especialmente os mais próximos. E sendo ainda incapaz de diferenciar o inútil e o útil, acaba por incorporar tudo que consegue captar sensorialmente ao seu próprio padrão de pensamento e idiossincrasias, e tudo isso logo se transformará em caracteres de sua personalidade. E a depender do estado psicológico desse orientador involuntário, terá construído uma personalidade que diante de um problema vislumbra possibilidades negativas, ou positivas. Terá ou não uma predisposição para julgar tudo pelo lado pessimista, ou otimista. Poderá crescer com a convicção de que se dará mal, ou bem, na futura vida adulta. Poderá ainda ter um sistema emocional que facilmente sucumbe às adversidades, ou ao contrário, uma forte disposição para enfrentar com altivez qualquer contratempo. Sempre lembrando que, cada detalhe de sua futura personalidade, cada modo como se comporta diante das contingências da vida, vai depender desse aprendizado inicial, da qualidade dessa pedagogia. Sim, coisas negativas, assim com as positivas, são ensinamentos, instruções, orientações assimiláveis, que poderão ser memorizadas, que poderão fazer parte do seu repertório cognitivo. Assim, tudo isso ela apreende e memoriza do mundo à sua volta, daqueles com os quais se relaciona, de forma indireta ou direta. A forma direta se dá através do convívio presencial, com seu grupo familiar ou afim. Indireta é a televisão, os livros, revistas, internet, as histórias que escuta, e assim por diante. E, se vive num ambiente conturbado e nosográfico, pela lógica, nosográfico tenderá a ser o seu estado emocional e padrão pensênico predominante. Caso o ambiente seja harmônico, a harmonia tenderá a refletir em seu comportamento. E o processo todo é simples: Se está em sua memória, será usado pelo pensamento. Terá assimilado de fonte conhecida com a qual tinha algum tipo de empatia ou vínculo. E nesses primeiros estágios de sua vida, estas fontes, provavelmente, serão seus parentes mais próximos. Do mesmo modo, otimismo e equilíbrio também se aprende. E a regra é a mesma daquela que é válida para a capacitação anterior, isto é, as ingerências negativas. Sim, trata-se de uma capacitação. Uma capacitação não reflete apenas as boas condutas ou comportamentos produtivos, pois, um mau hábito, embora seja algo indesejável, também é uma capacitação que foi desenvolvida, apesar de sua natureza nociva e indesejável. Assim, a criança pode se tornar um mestre em pessimismo ou em otimismo, e tudo isso depende daqueles que orbitam seu micro universo infantil, de forma indireta ou direta. Quando mãe ou pai se propõe a sentar-se com ela para ajudar nas tarefas da escola, isso, apesar de ser instrução, nessa fase de suas vidas, para a formação de sua psique emocional, como conteúdo cognitivo, tem pouco valor. Mas, ao contrário, o modo como aqueles adultos se comportam no dia a dia, a maneira espontânea como se relacionam com as pessoas e situações, o modo de falar, os hábitos, gestos, as queixas, e mesmo a maneira como interage ao sentar com ela, estes caracteres são as mensagens cognitivas mais importantes na estruturação psicológica indireta ou direta dessa criança. Uma queixa seguida de irritação, intolerância, agitação, gestos que suscitem o estado de violência, tudo isso também prepara, orienta, fertiliza o acervo emocional dessa criança, sugerindo uma futura reação semelhante. Quando a impaciência e seus efeitos emocionais controlam nossas ações e condutas, tais comportamentos atuam como importantes instrutores para esse novo protagonista, que ainda busca repertório para construir sua personalidade. Não tem ela, a criança, como separar aquilo que julgamos coisa inválida da válida, uma vez que ela ainda não é capaz de pensar de forma lógica. Mas, imitar até gradualmente atingir à perfeição, isso ela já é capaz de fazer. E assim, aos poucos, pelo exemplo diário, involuntário e voluntário, com a ajuda de aspectos do seu temperamento ainda adormecido e que acabam sendo estimulados por esse convívio, se capacitará. Assim ela se aperfeiçoa, e finalmente seu sistema emocional se adequa, aprendendo a reproduzir na íntegra, as pantomimas, vícios e manias dos mestres, passivos ou ativos, que estão à sua volta. Finalmente, devemos estar cientes que uma personalidade não é uma dádiva da natureza, mas da sociedade. A natureza não cria personalidades, mas antes disso, apenas a capacidade de imitarmos uns aos outros, e certas predisposições inatas, as quais podemos chamar de atributos temperamentais. E estes atributos, a partir de estímulos externos acabam por servir de caminho para a construção de cada personalidade. Se o temperamento inato é coisa potencial, ainda não desenvolvida, o comportamento do mundo já é coisa vigente, e é o que acaba predominando na formação das principais nuances da individualidade ou caráter. Desse modo, psicologicamente, nós criamos os personagens que serão nossos filhos, e não a misteriosa natureza que nos deu o dom da vida. A natureza detentora do dom da vida, não cria as personalidades, ou as preferências comportamentais que possui cada indivíduo, isso é papel da mente social, do meio onde vivemos, da mesologia da qual somos partes integrantes e atuantes. Lembre-se, instrução é toda informação que orienta ao outro como fazer determinada coisa, e para uma criança, isso não importa a origem. Se virá do mau caráter ou do indivíduo bem intencionado, para ela, pouco importa, pois a informação é a única coisa que sua mente cheia de frescor, ávida por conhecimento, considera relevante.

A Criança Estressada

A Criança Estressada Autor: Jon Talber[1] Uma reflexão inteligente sobre as formas de como, intencionalmente ou não, replicamos em nossos filhos as psicopatologias já adotadas como protocolos existenciais em nossas próprias vidas... "Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..." A Criança Estressada Se apenas as psicopatologias sociais é o legado que aparentemente iremos deixar como herança para nossos filhos, não seria mais sensato deserdá-los? Criança não nasce estressada, ou agitada, ou malcriada, ela aprende tudo isso, com seus tutores, sejam eles pais biológicos ou secundários; aqueles que representam seus primeiros e mais importantes educadores, seus primeiros instrutores. Nos primeiros anos de vida, quando as memórias das vivências que darão lastro a sua futura personalidade ainda estão tentando fixar residência em sua cabeça vazia, seus sentidos estão mais afiados que nunca. E graças a esse atributo tomarão conhecimento de manias, fraquezas ou virtudes daqueles que fazem parte do seu universo doméstico ou periférico, nesse estágio inicial. E como se identificam com os diversos personagens a partir desse convívio, através do processo de imitação, poderão incorporar diversos desses traços. E isso inclui aquilo que não presta e o que presta. E é exatamente nesse ciclo existencial que, na maioria das vezes, delegamos sua guarda e orientação primária a terceiros, a maioria desqualificados. O que será que irão aprender? E a depender de seus temperamentos, tais instruções poderão deformar ou comprometer de modo negativo e por toda vida a estruturação daquela personalidade que ainda não tem uma forma definida. E os traços temperamentais que existem apenas como potenciais adormecidos no fundo do inconsciente, a partir da qualidade dos estímulos externos, poderão aflorar na forma de hábitos conscientes e saudáveis, ou vícios, manias e psicopatologias que poderiam ser evitadas com o bom esclarecimento e tutoria equilibrada. Uma criança agitada por predisposição natural pode ter esse seu estado temperamental espontâneo potencializado pelo meio, desde que as condições se façam presentes. Não existindo as condições, ela tenderá a abandonar esse traço, que é inconsciente, e substituir por outro. Lembre-se, na criança não existe apenas uma ou outra idiossincrasia inata, mas todas, umas mais visíveis, outras mais discretas; algumas a flor da pele, outras em camadas profundas do cérebro. O educador que conhece o processo pode anular as negativas e lapidar apenas as positivas, qualificando-as, favorecendo que a criança se adapte de forma equilibrada com as novas condutas adquiridas. E quem são estes docentes desqualificados? Poderão ser os próprios pais, que assediados pelo excesso de trabalho e indiferentes aos filhos jogam tudo nas mãos do acaso. Poderá ser a televisão, ou os amigos virtuais da internet, ou ainda cuidadores profissionais inábeis, e assim por diante. E cada uma dessas entidades físicas ou virtuais irá contribuir com algum traço psicológico que o pequeno, involuntariamente, vai assimilar durante esse processo de preenchimento de sua personalidade. São as manias, fraquezas, traços patológicos, conflitos, e talvez, embora de forma mais rara, as virtudes. E tudo isso servirá de base, lastro, para a construção do seu repertorio cognitivo, que representa o modo peculiar de ver e viver no mundo. Seus desejos, a raiz da maioria das frustrações humanas, também serão plantados durante essa etapa. Ao se identificar com uma personalidade, que pode ser uma babá, um ídolo da moda, um educador, um personagem dos quadrinhos ou da televisão, a criança também absorve seus traços comportamentais, e isso inclui suas opiniões, seus gostos pessoais, suas crenças, seus ideais e assim por diante. Se como adultos já experientes ainda julgamos os indivíduos pelas aparências, qual a reação que devemos esperar de crianças inocentes? A lógica é simples: elas irão sempre se identificar com alguma coisa, que pode ser objeto ou pessoa. E o farão porque estão em busca de mais segurança psicológica, de algo que lhes dê a sensação de que estão protegidas. Uma criança nasce livre. Livre de crenças e de obrigações, do jugo de tarefas simples ou complexas, não importa o que seja. Não há vontade em suas pequenas mentes; isso só irá ocorrer mais tarde, como parte do seu futuro condicionamento. Elas aprenderão a falar conosco, e também a desejar, preferir, assim como a sentir angústia e frustração quando não conseguirem obter aquilo que delegamos como coisas importantes ou necessárias. O valor das coisas, assim como suas reações diante de fracassos e sucessos, isso também aprenderão conosco. O mundo não ensina a ninguém. O mundo não tem língua, nem é capaz de falar, muito menos de cuidar de uma criança. Isso é nosso papel, dos adultos, sejam pais, educadores ou qualquer outro personagem. Como adultos, ensinamos a estas crianças como funciona nosso mundo, que logo será o mundo delas, que no futuro deixarão aos seus descendentes, num movimento cíclico infinito, aparentemente incapaz de ser interrompido ou modificado. Uma criança não nasce com raiva de alguma coisa, ou de alguém. Antipatia e empatia, isso nada significa para ela. Se como animal ela instintivamente possui em si a semente da violência, o modo como irá empregar e direcionar essa violência em seus relacionamentos, isso fica a cargo dos instrutores do mundo, ou seja, nós. Violência faz parte do instinto animal, serve como alicerce para a autopreservação. É um componente do nosso medo primário, que é prudência. Diante de um abismo, sabemos das conseqüências de uma queda, isso não é medo, é prudência, é inteligência. Ao cairmos no abismo, segurar em suas bordas com todas as nossas forças, isso é colocar para fora todo nosso instinto animal de sobrevivência, e numa situação dessa natureza é tudo que importa. Ali não há pensamento, apenas ação, e mesmo que nossos dedos sangrem, ainda assim a dor será ignorada. Isso é violência, é o despertar da força irracional de sobrevivência, ou como diziam os antigos, o despertar do instinto primário de preservação. A raiva é coisa dirigida, consciente, sabemos exatamente porque a estamos sentindo. É uma deformação do estado de violência primária; uma má aplicação causada pela falta de compreensão que temos desse estado natural. Ficamos insatisfeitos com qualquer coisa, e naturalmente, logo desejamos nos livrar da causa ou causador. Assim nos foi ensinado, e assim, de forma incondicional, também instruiremos nossos filhos. Ensinar para uma criança que o ato de perder faz parte do seu aprendizado diante da vida, isso só é possível de ser feito se já aceitamos, a partir da auto-experimentação, esse fato irrefutável. Como podemos ganhar alguma coisa se ainda não sabemos o que é perder? Imagine um mundo onde todos ganham. Como saberão que são vencedores se não existissem os perdedores, aqueles que precisam ser derrotados, pelo menos uma vez, para que venham a aprender o que significa uma vitória? Todo stress infantil está centrado nessa verdade: A criança ainda não aprendeu que a única via de acesso ao esclarecimento, e ao aprendizado definitivo, são os erros cometidos, pessoalmente, ou por outros. Quando o desejo inflexível de se tornar impecável, perfeito, sobre-humano, é equivocadamente ensinado para elas, por reflexo, também criamos a criança ansiosa, temerosa, estressada. Podemos ensinar isso às nossas crianças, o fato de que nada se perde, e que o erro é na verdade um acerto em andamento. Como podemos ensinar o que é acerto se não tivermos um erro como referência? Decerto não podemos. Isso precisará ser compreendido, explicado, esclarecido, de uma forma clara, de modo que elas sejam capazes de entender; compreender intelectualmente, com o vocabulário que possuem. Podemos mostrar para elas, através de exemplos simples, como todo nosso conhecimento de vida foi construído a partir de tentativas e mais tentativas de acertos, e de como ainda continuamos a tentar. Assim não mais temerão os erros, e ficarão atentas para minimizar ao máximo suas ocorrências. E assim tenderão a usar as tentativas falhas, ou erros, como preciosos guias para seus acertos, sem frustrações, sem ressentimentos, sem raiva ou crises de ansiedades desnecessárias.