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sábado, 2 de maio de 2015

4 fases da linguagem na primeira infância.

A aquisição da linguagem é o processo pelo qual a criança aprende sua língua materna. A respeito desse processo, há boas razões para afirmar que a aquisição da primeira língua é a maior façanha, de um processo individual, que podemos realizar durante toda a vida. Explicar esse processo é hoje considerado uma das tarefas centrais da lingüística. Muitos estudos nesta área se associam a psicolingüística. A maior base de dados nesta área é o Child Language Data Exchange System. Em tradução livre, significa "Sistema de Intercâmbio de Dados da Linguagem da Criança". A linguagem é o meio de adequação do indivíduo a sociedade. Linguagem como meio tradicional de comunicação é o instrumento de transmissão de ideias, bem como da ocultação dessas, da alienação e da segregação. A linguagem é o item que se une ao convívio social como construtor das práticas sociais condicionadas e da identidade psicológica do homem. Um indivíduo que fica isolado da sociedade e aprende a linguagem tardiamente, tem uma percepção mais aguçada da realidade, suas ideias não se limitam a símbolos ou abstrações, como palavras ou ideias que distorcem os conceitos. Suas "portas da percepção" estarão abertas, pois seu conhecimento de mundo está livre de "pré-conceitos", ou seja, ideias perpetuadas pela sociedade, ditas como verdadeiras, mas que se analisadas sem "pré-idéias" são apenas práticas sociais condicionadas que não se utilizam de lógica, a imposição de regras(normas) para a regulação da práxis. A evolução da linguagem na primeira infância (do nascimento aos 2 anos de vida) possui 3 fases: 1º- De 0 a 3 meses, linguagem espontânea, onde aparecem as primeiras manifestações do bebê, por meio de gritos. 2º- De 3 a 20 meses, linguagem de imitação, por imitação ela reproduz certo número de palavras que ouve, sem, entretanto, compreender sua significação. 3º- De 20 a 22 meses, linguagem social, aparece o desenvolvimento dos mecanismos neuromusculares que possibilitarão as articulações das palavras. Na segunda infância dá se a Linguagem Organizadora (3 aos 6/7 anos), a criança prepara-se para a aquisição do raciocínio lógico, ou seja, ela vai evoluindo cognitivamente, funcionando de modo conceitual e representacional, internalizando experiências vivenciadas em contato com o objeto. Entre essas experiências, aparece a linguagem, que nesse período proporciona a criança maior agilidade de pensamento, e até os sete anos a criança apresentará domínio completo de todos os sons simples da língua e suas combinações. A criança modela sua fala pela linguagem que ela ouve, por isso, é importante que os adultos compreendam que as crianças passam por transformações e estão apreendendo o que lhes é ensinado. O correto é usar dicção e normas gramaticais corretas, o erro estabelecido nesse início pode transformar-se em hábitos mais tarde. A aprendizagem e o desenvolvimento ocorrem a cada etapa, e os progressos demonstram que a criança é um elemento ativo que constrói sua fala. O desenvolvimento da linguagem é um processo muito complexo. Falar implica ouvir e processar o que se ouve, replicar utilizando as palavras adequadas e fazendo os movimentos articulares certos utilizando músculos e tendões específicos e regulando a capacidade respiratória. Para falar temos de pensar, construir frases, escolher as palavras, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, tudo numa fração de segundos, de modo a partilhar sentimentos, ideias, valores, fatos e pensamentos. A evolução da linguagem, tal como acontece com o desenvolvimento da criança noutras áreas, é um processo gradual e não é igual para todas – umas têm um ritmo mais lento, outras, mais acelerados. Referenciais Bibliográficos: DE LEMOS, C. T. G. Interacionismo e Aquisição de Linguagem. D.E.L.T.A., 2 (2): 231-248, São Paulo, 1986. OLIVEIRA, M. C. L. Com o igual também se aprende: A linguagem e a construção da subjetividade na creche. Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro, PUC, 1992. PEDROSA, M. I. J. P. C. Interação Criança-Criança: Um lugar de construção do sujeito. Tese de Doutorado, São Paulo, IP-USP , 1989. PIAGET, J. La Naissance de l'Intelligence chez l'enfant. Paris, Neuchâtel, Delachaux et Niestlé, 1936. VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 1936.

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