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domingo, 31 de maio de 2015

Dançar a Quadrilha...

Quadrilha É dança de origem francesa (quadrille), cujo nome, segundo Eugéne Giraudet, é diminutivo de squadra, vocábulo italiano que significa companhia de soldados disposta em quadrado. Este nome foi dado, mais tarde, a um grupo de quatro pares, e de squadra passou para quadrille.Surgiu em Paris, no século XVIII. Musard foi considerado o pai das quadrilhas. Dança derivada da contredanse française, que por sua vez é uma adaptação da country danse, inglesa, introduzida na França. A quadrilha resultou da disposição dos dançadores daquela em quadrado. A quadrille française, compunha-se de cinco figuras básicas, que serviram de ponto de partida para as variações que delas se originaram: pantalon, eté, Poule, Pastourelle e chassé-croisé. A quadrilha apresentava na França, inúmeras modalidades. Entre as conhecidas, no fim do século XIX, destacamos: quadrille des lanciers, quadrille american, quadrille des familles.A quadrilha era dança aristocrática, que iniciava os bailes de corte na Europa, preferida pela sociedade da época. Foi trazida para as Américas, onde os salões acolheram-na efusivamente e depois transportou-se para o povo que lhe transformou as figuras ou lhe anexou novas, assim como fez com sua música e seus comandos. Deu origem às danças sul-americanas cielito e pericon e, nos Estados Unidos, às famosas square dances. Foi introduzida no Brasil no século XIX, durante a Regência, trazida pelos mestres de orquestras francesas Milliet e Cavalier. Brilhou durante anos na sociedade brasileira e, ao que consta, no último baile solente do Paço (1852) foram dançadas vinte quadrilhas.As quadrilhas antigas, em nosso país, eram executadas em cinco partes, como a francesa, em compasso 6/8 ou 2/4, terminando sempre em galope. Mais tarde foram vistas concluídas por polca ou mazurca. Vimo-la em 1945, em Santa Rita do Passa-Quatro (São Paulo) executada em quatro partes e encerrada com valsa antiga, como ainda fazem em Itapeva e Assis (1961) no estado de São Paulo, sendo que nestas duas localidades antes da valsa dançam o galopeio, reminiscência do galope, registrado no mesmo ano em França.Em Piracicaba, (1957) neste estado, foi terminada com o miudinho e iniciada com polca, para que os pares, de braços dados, entrassem e se colocassem nos lugares. Geralmente concluída com danças de pares enlaçados, como as enumeradas acima, foi observada terminando com uma de suas próprias figuras: O Grande Passeio. Na quadrilha o marcador ou "marcante" é elemento imprescindível, pois dirige a dança, dando as vozes de comando, para a execução das figuras. A sequência da dança e as figuras de que se compõe dependem desse personagem. Em Piracicaba é encontrada, também, a "contra-marcante", o que não é frequente e todavia não estranhável, porque na quadrille des familles, francesa, havia um par dirigente.É marcada quase sempre, mesmo nos dias atuais, em francês não muito correto ou combinado com português. Naquele idioma persistiram os termos básicos, e os novos, próprios a cada localidade, geralmente populares e típicos, aparecem expressos na língua pátria.O acompanhamento instrumental da quadrilha é geralmente, sanfona, (uma ou duas) vendo-se, ainda, viola ou violão. Quanto à sua música, os compositores brasileiros deram-lhe colorido nacional.Esta dança, no Brasil, ultrapassou os salões e a sua difusão foi tamanha que deu origem a outras danças no mesmo estilo, como sejam: a quadrilha caipira, no estado de São Paulo, o saruê, no Brasil central, o baile sifilítico, na Bahia e Goiás, e a mana chica no estado do Rio de Janeiro. As quadrilhas foram sendo gradativamente substituídas por danças de salão mais modernas e hoje estão quase desaparecidas. Surge, apenas, nas festas juninas, nas cidades e em comemorações festivas no meio rural. Mesmo assim a grande variedade de suas figuras nos permitiu apresentar, na segunda edição, o registro de várias que não constam na de Santa Rita de Passa-Quatro, exposta adiante. Dessas figuras, recolhidas em diferentes localidades paulistas, a maioria foi registrada por nós in loco, em épocas diversas, outras aprendemos com pessoas que as dançaram nas cidades mencionadas. Não incluídas nesta edição, por motivo de força maior, reaparecerão, aumentadas, na próxima, atestando a diversidade imprevisível e a abundância dos mesmos. Indumentária À antiga (fim do século XIX). Damas: Vestido até os pés, sem muita roda, estilo blusão, gola alta, cintura marcada, mangas "presunto", botinas de salto, abotoadas de lado. Cavalheiros: Paletó até o joelho com três botões, colete, calças estreitas, colarinho duro, gravata de laço, botinas. À caipira: incluir pequenos chapéus de palha, enfeitados de flores, para as damas). Acompanhamento: Piano e violino, no primeiro caso, sanfona no segundo. Número de participantes: Pares à vontade. Passos Passo básico: Passo à frente, com o pé esquerdo flexionando e estendendo ligeiramente a perna, após o contato do pé com o chão. Passo à frente com o direito, observando os detalhes vistos. Os braços, quando não há outra indicação, balanceiam-se, um pouco exageradamente, ao lado do corpo, semiflexionados. Passo no lugar: Elevar alternadamente os joelhos, a pequena altura. Braços como acima. Figuras A dança compõe-se de quatro partes, cada uma das quais constituída de várias figuras.Notamos nela figuras gerais, que aparecem em todas as partes e figuras especiais, que são peculiares a cada parte. Entre as figuras gerais, temos: "aos seus lugares"; "ao centro"; "giro" e "balanceio". Entre as especiais: 1.ª parte: "Damas, saudação", "Cavalheiros, saudação", "Saudação geral", "Damas, trocar de lado", "Cavalheiros, trocar de lado", "Damas e cavalheiros, trocar de lado". 2.ª parte: "Grande passeio", "Trocar de damas"; "Trocar de cavalheiros"; "A ponte". 3.ª parte: "Primeiras marcas, ao centro", "Segundas marcas, ao centro", "Caminho da roça", "Caracol". 4.ª parte: "Grande roda", "Coroar damas", "Coroar cavalheiros", "À valsa". Explicação de como será executada cada uma das figuras citadas. Disposição inicial: Duas fileiras defrontam-se. Nelas damas e cavalheiros alternam-se. Há entre ambas um intervalo aproximado de quatro metros. Uma é começada por dama, outra, por cavalheiro. Mãos dadas, braços oblíquos para baixo. "Ao centro": De mãos dadas, as duas fileiras progridem para frente. Quando estiverem próximas, todos os participantes fazem um cumprimento, isto é, flexionam o trono à frente, mantendo a cabeça erguida e voltam aos lugares, caminhando de costas. Sendo ordenado "Mais uma vez" repete-se a figura. "Balanceio": Os pares da mesma fileira defrontam-se fazem o passo no lugar balanceando naturalmente os braços. Pode ser feito também, no centro, quando as fileiras estão próximas. O "balanceio" é feito, neste caso, com a dama ou cavalheiro do lado oposto. Ele pode aparecer no meio de outras figuras, como na "roda", no "grande passeio", no "caracol", etc., procedendo-se de maneira idêntica ao que já foi visto. Quando for dito "Bem balanceado", imprime-se mais entusiasmo ao movimento. "Giro": Cavalheiro passa a mão direita na cintura da dama que apóia a esquerda no seu ombro. A outra mão de ambos é dada obliquamente para cima, braços estendidos. Os pares giram pela direita do cavalheiro, inclinando o tronco, ora para um lado, ora para o outro e conservando entre o homem e a mulher distância bem maior do que nas danças atuais. O "giro" pode ser feito nas fileiras, como já vimos, ou no centro, quando é executado com a dama ou cavalheiro do lado contrário. Pode ser encontrado também em outras figuras, procedendo-se então de acordo com o exposto. "Aos seus lugares": É a marcação feita no início da dança ou após qualquer figura, quando se deseja a formação ou reconstituição das fileiras iniciais. "Damas, saudação": Só elas vão ao centro, fazem uma reverência (ponta do pé esquerdo à frente, flexão do tronco à frente, apoio do peso do corpo na perna de trás que se flexiona, segurar a saia lateralmente, olhar à frente) e voltam aos lugares, progredindo de costas. "Cavalheiros, saudação": Só eles vão à frente, fazem reverência (ponta do pé esquerdo à frente, ligeira flexão do tronco à frente, cabeça levantada. O braço direito, semiflexionado, é trazido à frente e o esquerdo mantém-se obliquamente para baixo) e voltam como as damas o fizeram. Nota: Executar a reverência de maneira elegante ou acaipirada, conforme a indumentária adotada. "Saudação geral": Damas e cavalheiros vão ao centro, executam o que fizeram isoladamente e voltam aos lugares."Cavalheiros, trocar de lado": Cavalheiros de ambas as filas se dirigem ao centro. Aos se aproximarem, dão-se as mãos direitas, descrevem um pequeno círculo à direita. Soltam as mãos e se encaminham para o lado oposto. As damas, enquanto isso, fazem o passo no lugar. "Damas, trocar de lado": Procede-se como acima, sendo que, agora, são as damas que vão ao centro e os cavalheiros esperam nos lugares. "Damas e cavalheiros, trocar de lado": As duas fileiras se aproximam de mãos dadas. Ao se defrontarem, soltam-nas e os cavalheiros, tomando a mão da dama fronteira (ambos mão direita, braço elevado) descrevem um pequeno círculo, pela direita. Em seguida, soltam as mãos, dirigem-se para o lado oposto e dão as mãos, novamente, aos companheiros da fileira, caminhando uma fila de costas para outra. "Grande passeio": As duas fileiras iniciais volvem-se à direita, emendam-se, formando um grande círculo. Damas colocam-se à direita dos cavalheiros, dão-se os braços internos e os externos continuam balanceando ao longo do corpo. O círculo progride. Quando o marcador anuncia alguma figura, a progressão cessa e os participantes executam o que foi ordenado. "Segue o passeio": É a voz de comando para que ele continue a progredir. "Trocar de damas": Estando no "Grande passeio", os cavalheiros avançam, vão colocar-se ao lado da dama imediatamente à sua frente. Se for dito "Mais uma vez", repete-se o que foi feito. Quando a marcação for "passar duas", ou "passar quatro", o cavalheiro progride à frente, passando pela primeira à sua dianteira e imediatamente firmando-se ao lado da segunda ou da quarta, conforme a indicação. As damas, durante essa movimentação, quase param no lugar, para que os cavalheiros possam passá-las à vontade, sem que haja confusão. "Trocar de cavalheiros": São as damas que se movimentam, procurando o cavalheiro da frente. Passam um, dois, três ou quatro, de acordo com o que for determinado. "A Ponte": O par da frente para, eleva os braços internos para cima, mãos dadas, fazendo ponte. O segundo par flexiona o tronco, passa por ela e vai colocar-se na frente do primeiro e eleva os braços. Passa o terceiro sob o braço de ambos, coloca-se na frente do segundo e assim, sucessivamente, até que todos passem. Executa-se o passo no lugar durante esta figura. O braço livre balanceia ao lado do corpo. "Primeiras marcas, ao centro": Previamente os pares de cada fileira são numerados por dois. A esta marcação só os pares número um vão ao centro, cumprimentam-se e voltam. Os pares número dois, enquanto isto, fazem o passo no lugar. Se, enquanto estiverem no centro, for determinado "balanceio, ou "giro", eles o executam com o par da fileira oposta. À ordem de "aos seus lugares", voltam às fileiras. "Segundas marcas, ao centro": Os pares número dois vão ao centro e procedem como aqueles o fizeram. "Caminho da Roça": As fileiras iniciais viram-se à direita, emendam-se, formando uma só coluna. O primeiro desta, segura, com as mãos à altura dos ombros, as mãos de quem está atrás. Os demais apoiam-nas nos ombros do que está à sua frente (braços estendidos). A coluna progride, serpenteando à frente. À voz de "vem chuva", "olha um cobra", ou "que tempestade", todos fazem meia volta, colocam-se como estavam e caminham em sentido contrário até que marcação semelhante determine nova meia volta e trajeto em sentido inverso.Esta figura pode também ser entremeada de "balanceios" ou "giro", feito com o par. Para que ela prossiga, será dito "segue caminho da roça". "O Caracol": Estando em coluna, com acima, inclusive os braços, a esta marcação o primeiro elemento começará a descrever curvas sucessivas que fazem lembrar a carcaça desse molusco. Quando o marcador disser "desviar", o guia procurará executá-las em sentido contrário e depois caminhará em linha reta. "Grande roda": As duas fileiras iniciais emendam-se, constituindo uma roda que se desloca "à direita" ou "à esquerda", como for determinado, sempre de mãos dadas. O deslocamento é feito por meio de passos laterais (dar passo lateral na direção indicada com uma perna e unir o outro pé ao que avançou). Ao comando de "dois círculos, damas para dentro", estas se dirigem para o centro, dão-se as mãos, braços obliquamente para baixo enquanto os cavalheiros dão-se as mãos, lateralmente, formando um círculo exterior. À voz de "à direita" ou "à esquerda", os dois círculos se movimentam na direção indicada. Se for dito: "damas à esquerda" e "cavalheiros à direita", ou vice-versa, os círculos se deslocarão em sentido contrário, obedecendo à ordem dada. Também há a marcação. "Dois círculos, cavalheiros para dentro" quando se procederá de maneira inversa ao que já vimos. "Coroar damas": Estando em dois círculos concêntricos, damas para dentro, os cavalheiros, de mãos dadas, erguem os braços na vertical, sobre a cabeça delas, como se as coroassem, depois abaixam-nos passando pela frente, até à altura da cintura, contornando-as. Fazem o passo no lugar durante a coroação. Depois podem deslocar-se "À direita" ou "À esquerda", conforme determinação. "Coroar cavalheiros" Partindo da figura acima, aos cavalheiros elevam os braços na vertical e os trazem ao lado do corpo. Damas elevam o seus, mãos dadas, ao alto, sobre a cabeça dos homens, a coroá-los e abaixam-nos, por trás, à altura da cintura, contornando-os. No mais, obedecer os detalhes vistos acima.Quando for determinado "Em dois círculos" – damas elevam os braços na vertical e em seguida os abaixam, afastando-se dos cavalheiros, formando novamente o círculo duplo. Estes podem deslocar-se no mesmo sentido ou em direção contrária, até que seja ordenado: "Reformar a grande roda". Então as damas, caminhando de costas, intercalam-se entre os cavalheiros, todos dão as mãos lateralmente e se deslocam na direção indicada. "Fim da 1.ª, 2.ª ou 3.ª parte: Dispostos na duas fileiras iniciais, os participantes batem palmas, antes de se dispersarem para um pequeno intervalo, que existe entre cada parte. "A Valsa, para terminar": A orquestra inicia uma valsa antiga. Os pares se enlaçam, como o fizeram no "giro" e valseiam, dispersos, até que o marcador profira: "Está terminada a nossa dança", que é o fim da quadrilha. Passos: Aos seus lugares! Damas, saudação! Cavalheiros, saudação! Saudação, geral! Ao centro! Mais uma vez! Balanceio! B em balanceado! Giro! Aos seus lugares! Balanceio! Giro! Ao centro! Damas, trocar de lado! Balanceio, giro! Cavalheiros, trocar de lado! Balanceio, giro! Ao centro! Mais uma vez! Balanceio! Giro! Aos seus lugares! Damas e cavalheiros trocar de lado! Balanceio! Giro! Ao centro! Mais uma vez! Mais outra vez! Aos seus lugares! Ao centro! Mais outra vez! Balanceio! Giro! Aos seus lugares! Balanceio! Giro! Grande passeio! Trocar de damas! Mais uma vez! Balanceio! Bem balanceado! Giro! Segue passeio! Trocar de cavalheiro! Passar três! Giro! Balanceio! Segue passeio! Trocar de damas! Trocar de cavalheiros! Segue passeio! A ponte! Aos seus lugares! Ao centro! Balanceio! Giro! Aos seus lugares! Balanceio! Giro! Fim da 2.ª parte.3.ª Parte: Aos seus lugares! Ao centro! Mais uma vez! Balanceio! Giro! Primeiras marcas, ao centro! Mais uma vez! Balanceio! Giro! Segundas marcas, ao centro! Mais uma vez! Balanceio! Giro! Todos ao centro! Balanceio! Giro! Caminho da roça! Vem chuva! Segue caminho da roça! Olha uma cobra! Segue caminho da roça! Giro! Balanceio! Segue caminho da roça! Que tempestade! O caracol! Desvirar! Segue caminho! Aos seus lugares! Primeiras marcas, ao centro! Balanceio! Giro! Segundas marcas, ao centro! Balanceio! Giro! Fim da 3.ª parte.4.ª Parte: Aos seus lugares! Ao centro! Mais uma vez! Mais outra vez! Balanceio! Giro! Aos seus lugares! Formar grande roda! À direita! À esquerda! Balanceio! Bem balanceado! Giro! Segue a grande roda à direita! Damas ao centro! Damas, à direita! Cavalheiros, á esquerda! Vice-versa! Balanceio! Giro! Segue à direita! À esquerda! Coroar damas! Segue à direita! Coroar cavalheiros! Segue à esquerda! Coroar damas! Coroar cavalheiros! Em dois círculos! Damas, à direita; cavalheiros, á esquerda! Balanceio! Giro! Reformar a grande roda! Á direita! Aos seus lugares! Ao centro! Outra vez! Balanceio! À valsa! Está terminada a nossa dança!

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